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NUM PROTESTO APOTEÓTICO, ÉPICO, CARNAVALESCO, IRÔNICO E POÉTICO...

Posted by Nóis de Teatro On 13:54


Por Érika Gomes
Chegamos ao Planalto Pici, bairro da periferia de Fortaleza, populoso, conhecido por muitos através dos meios de comunicação pelos problemas de água, de saneamento e pela violência. Conhecido por nós como um bairro do Maracatu Nação Pici, pela Quadrilha Tongil, pelos trabalhos do Bando Gambiarra, do Coletivo Muquifo e do Espaço Frei Tito – Escuta.Enfim, para nós estávamos indo para um lugar onde a arte da margem brota do chão, que respira tradição popular, com seus reisados de porta em porta, que reúne uma roda de coco no bar do seu Gervas. Um lugar de poesia, de coisas simples e bonitas, de pessoas que andam de bicicleta, que vão a feira no domingo pela manhã. Enfim, um lugar habitado por pessoas boas, capazes de produzir o belo, o poético, a arte.
Primeiro encontramos com o pessoal do Espaço Frei Tito – Escuta, trocamos de roupa e seguimos em cortejo pelas vielas do Pici. Cantando nossas músicas, nos deparando com pessoas sentadas nas calçadas no fim de tarde. “Gente da gente, povo guerreiro, favela!”. Chegamos à quadra e lá estavam nossos amigos do Coletivo Muquifo, percebemos o cuidado e o carinho que eles tiveram para preparar a nossa ida, um cartaz feito à mão anunciava o dia e o horário da apresentação, e um fanzine com uma foto, passava de mão em mão. O aviso estava dado à comunidade: hoje tem teatro! Chegamos e ocupamos a quadra e o povo se organizou ao redor.



Sentimos a vibração das pessoas, a energia viva do povo pobre da periferia. Não foi uma apresentação teatral convencional, não existia uma clara separação entre platéia e os atores. O público também teve suas cenas, onde os próprios atores tiveram que parar para ver, se tornando expectadores do seu público. Quase sempre os expectadores se voltavam contra os discursos autoritários de Zé da Granja, o latifundiário. Os atores que representavam os opressores quase não conseguiam falar seu texto, pois a oposição era grande e contagiante.
Nesse dia o povo bolou no chão como nunca na cena do dinheiro. Sentiamos que estávamos nos apresentamos para as pessoas que mais entendiam o que estávamos falando. Sim, o povo, a plebe das periferias de fortaleza sabe o que é luta de classes, da luta diária dos trabalhadores, algo bem próximo da realidade de cada um que assistia aquelas cenas. Consciência de classe sim! Pois não é necessário ler Marx para entender que existe exploração e opressão.

Saímos do Pici com uma alegria contagiante no coração, uma euforia, um sentimento de troca único. Aquela apresentação entrou para a história do grupo Nóis de Teatro. Percebemos a importância de estar com nossos parceiros de luta, os grupos da periferia como Nóis, e de estar em contato com as pessoas que estão nas margens e compreendem a arte de resistência, aquela que nos dedicamos a fazer, pois somos também fruto das contradições da favela, do gueto. Não falamos de algo distante da nossa realidade, gritamos alto, cantamos e dançamos apenas a opressão que também nos mutila. 

Nóis nas ruas de Morada Nova – Do Camarim na funerária aos aplausos na Rua

Posted by Nóis de Teatro On 16:45



Por Bruno Sodré


 

Morada Nova fica a 170 km de Fortaleza, porém a metade do elenco já estava por lá. Estávamos vindo de Fortim-CE onde na noite anterior apresentamos Sertão.doc no assentamento Coqueirinho com um belo intercâmbio com o grupo Loucomotiva de teatro. Chegando na praça já fomos bem recebido por integrantes do grupo de teatro Duas caras em caras novas, grupo esse que movimenta o assentamento Terra Nova e a região com apresentações e articulações culturais e a presença da secretária de cultura de Morada Nova. Após a pausa para o almoço fomos descarregar o cenário já com todos os integrantes. Como estávamos no centro comercial de Morada Nova os lojistas já começaram ficar curiosos com a nossa movimentação, em plena tarde com um “sol nordestino” de 14h, digo Nordestino pelo fato de que o sol parece mais quente pro lado de cá, por isso decidimos ficar protegido em baixo de um alpendre no meio da praça.

Com o horário da apresentação se aproximando fomos levados para nossos camarins e para a surpresa de todos uma funerária seria nosso local de concentração.  Em meio às imagens de flores e uma atmosfera, digamos que, diferente do que costumamos ficar, demonstrando assim uma nostalgia ou ate mesmo a magia que o teatro de rua pode proporcionar como os teatros mambembes de tempos atrás, que tornavam ao seu redor um lugar especial para que essa magia transformasse a rua inteira em um mundo diferente. Esse momento não foi diferente: o nosso colorido transformou o local.  Já maquiados e aquecidos fomos colorir a praça ao som de Asa Branca, um lamento que na atualidade da seca volta como um retrato que vez por outra insiste em nos castigar e como o espetáculofala de uma ocupação e mostra o misto de ocupação campesina dos retirantes e a formação de uma nova periferia, é como se esse ciclo de seca e retirada que castiga o Nordeste há tempos atualizasse toda a dramaturgia do espetáculo. Ao invés de pesquisar todas as historias de seca no tempo passado é como se o próprio tempo atual se tornasse fonte de pesquisa pra nós atores, tendo em vista a grave situação de açudes que podemos verificar ao passar pelas estradas entre uma apresentação e outra, pelo aumento de preço em determinados alimento que são básicos para a vida no campo e até mesmo na cidade. Diferente das secas descritas pelos nossos avós onde os moradores do campo viam a cidade como fonte de saída/salvação, hoje já não existe essa opção por isso o espetáculo se tornou tão atual, tão vivo que chega até o público não como uma história e sim como uma situação vivida por cada um.

Embora o espetáculo aborde uma ocupação passada de uma periferia onde crescemos, na vida real “A Granja” se tornou tão mais atual que os outros espetáculos montados depois dela pelo grupo.

Por todos esses questionamentos que o espetáculo aborda fica claro que o público se identifica e infelizmente ao final de cada cena vêem no espetáculo a realidade de sua cidade comparando o Zé da Granja (personagem corrupto e donos de terras) com algum político de sua região, uma prova de que políticos e política na maioria das vezes agem do mesmo jeito. Em Morada Nova não foi diferente, o público ao final do espetáculo aplaudiu e se identificou, com nosso objetivo alcançado fomos para o assentamento Terra Nova onde apresentamos o espetáculo Sertão.Doc. Durante toda viagem, já que apresentamos Três espetáculos seguidos percebemos o quanto seria cansativo a nossa tão sonhada “Caravana Nóis de Teatro” que circulará por varias cidades do Brasil no mês de Julho. Contudo, no fim de cada espetáculo, ser aplaudido de pé (já que na rua não utilizamos cadeira o que ajuda, diferente do palco que as pessoas aplaudem de pé não porque ovacionaram seu espetáculo,mas porque estão de pé pra sair do espaço, senão sentariam novamente) e a cada grupo que conhecemos e vamos conhecer. Certamente isso nos motiva a querer sempre mais essa magia da rua.



PERIFÉRICOS - NÓIS OCUPA O BOM JARDIM

Posted by Nóis de Teatro On 09:47


OBJETIVO GERAL
Ocupar três praças públicas do Grande Bom Jardim (Território de Paz de Fortaleza – CE) com ações desenvolvidas pelo Grupo Nóis de Teatro, com o intuito de discutir, dentre outros assuntos, a questão do desarmamento na juventude da comunidade.

Objetivos Específicos

- Realizar a circulação do repertório de espetáculos do Nóis de Teatro (“A Granja”, “Sertão.doc” e “Aquelas que dizem não”) em três praças do Grande Bom Jardim, de forma a difundir o trabalho do grupo, bem como gerar opções culturais nas praças da comunidade;

- Dar continuidade à pesquisa realizada pelo Nóis de Teatro no que diz respeito às periferias de Fortaleza, discutindo, através da montagem de um esquete de rua, a questão do desarmamento na juventude de periferia;

- Formar platéia no Grande Bom Jardim, ofertando à população o conhecimento sobre as diferentes formas e tipos de manifestações artísticas desenvolvidas na cidade;

- Dinamizar as praças do Grande Bom Jardim, oportunizando à comunidade da periferia o acesso aos bens culturais, além de ocupar as favelas com arte e cultura;

- Reconhecer e valorizar os artistas locais da periferia de Fortaleza, gerando também oportunidade de geração de trabalho e renda;

- Apoiar as atividades dos jovens do Grande Bom Jardim, contribuindo para dinamizar a produção artística e cultural das periferias e do próprio município de Fortaleza;

- Discutir o conceito de “favela” apresentado pelo espetáculo “A Granja”;

- Discutir, através do esquete a ser montado, estratégias para o desarmamento e para a difusão da cultura de paz no território do Grande Bom Jardim.

FICHA TÉCNICA
Direção – Altemar di Monteiro
Elenco – Iane Lima, Henrique Gonzaga e Kelly Enne Saldanha

ÓRGÃO FINANCIADOR – Prêmio Mais Cultura para Territórios de Paz
Governo Federal, Ministério da Cultura, Programa Mais Cultura, Ministério da Justiça, Programa de Segurança Pública Com Cidadania/Pronasci

DAS BORDAS PARA O CENTRO Nóis de Teatro apresenta “A Granja” em Recife e Olinda

Posted by Nóis de Teatro On 17:15


O Nóis de Teatro é um Grupo de Teatro de Rua que existe há 08 anos, pesquisando e montando espetáculos em Fortaleza, tendo provado que é possível desenvolver um trabalho artístico-cultural de qualidade na periferia com base no estudo sobre as manifestações populares tradicionais e contemporâneas, urbanas e rurais.

Dentro do seu processo formativo, o Grupo tem pesquisado as relações existentes entre cultura e periferia, tendo nos últimos anos trabalhado a estética popular com base no referencial urbano das favelas. Nesse processo, com o apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza (SECULT-FOR), o grupo montou o espetáculo “A Granja”, num processo de pesquisa e investigação sobre o bairro da Granja Portugal, onde o Nóis estabelece sua sede. Nessa outra etapa, conquistou junto à FUNARTE, o Premio Artes Cênicas na Rua 2009, do qual tem proporcionado aos 13 participantes do grupo, a apresentação do seu espetáculo “A Granja” em comunidades das periferias de Fortaleza, debatendo com a plateia as questões levantadas na cena, através de Técnicas do Teatro Fórum, idealizada pelo Teatro do Oprimido, o qual o grupo também tem pesquisado.

Com direção de Altemar di Monteiro, “A Granja” vem falar sobre inquietações e opressões de moradores de bairros de baixa renda. O cotidiano, as brigas, os problemas, os risos, as brincadeiras, o ser feliz, o ser triste, a vida, a morte, o corrupto, o revolucionário, a velha, o jovem e as diversas formas que compõem essa cultura urbana, a qual chamamos de favela. Desde a ocupação, num processo de evolução, o espetáculo mostra política e socialmente a formação do espaço urbano de baixa renda, revelando o processo de solidificação (a)cultural dessa classe. Com poesia, brincadeira e um pouco do clichê (porque não?), o espetáculo revela um pensamento novo, tão difícil de encontrar na atual sociedade: o ato de pensar.

Nessa semana, o grupo apresenta o espetáculo em comunidades da periferia de Olinda e Recife, fazendo um intercâmbio artístico com o grupo Vem Ca, vem Ve (Recife), que esta celebrando os seus 30 anos de atividades, com o Grupo Poesis, também de Recife, além do Projeto Peixearte, de Olinda, entre os dias 21 e 24 de abril de 2010.

No dia 23, sexta-feira, em Olinda, o grupo estará se apresentando na noite cultural do Bairro de Peixinhos, em Olinda. Além do Nóis, a programação conta com apresentações de percussão e dança do grupo Comunidade Assumindo sua Criança e da Banda Raizes, à partir das 18h, na Avenida Nacional.

Já no dia 24, em Recife, na Escola Pernambucana de Circo, que fica na Vila do Buriti, o grupo irá ministrar a oficina “Trabalho de ator no espaço aberto”, aberta à comunidade, á partir das 9h30. Às 14h, haverá também oficina ministrada pelo Grupo Vem Ca Vem Ve, como uma das atividades da programação do seu aniversário de 30 anos, que segue a noite com a participa-ção do Nóis de Teatro com espetáculo “A Granja”, Vem Ca Vem Ve com “O boi doidão”, além dos Grupos Arteiros (Olinda) e Coco Bangá.

A idéia é fazer um dia de interações estéticas, realizando o intercâmbio artístico, estético e político entre Vem Ca Vem Ve e Nóis de Teatro. Toda a programação será aberta para a comunidade e demais interessados, levando para o cenário artístico de Recife e Olinda, o resultado cênico da produção teatral da periferia de Fortaleza, descentralizando os espaços de difusão teatral, “das bordas para o centro”, da periferia para o todo.



Serviço
“A Granja”
Nóis de Teatro (Fortaleza)
Direção: Altemar di Monteiro
Dia 23 de abril, às 20h – Comunidade Peixinhos, em Olinda (Av. Nacional – Grupo Comunidade Assumindo suas Crianças)
Dia 24 de abril, às 19h – Escola Pernambucana de Circo (Vila do Buriti – Rua Jose Américo de Almeida)
Maiores informações: (85) 8720.1135 - http://noisdeteatro.blogspot.com/

NÓIS DE TEATRO SELECIONADO NO PREMIO ARTES CÊNICAS NA RUA, DA FUNARTE

Posted by Nóis de Teatro On 13:19


Foi publicado hoje, 27 de outubro, o resultado do Premio Funarte Artes Cênicas na Rua. O Nóis de Teatro foi contemplado com mais esse projeto: “Periferia Encena – Nóis Ocupa a Favela!!!”.

Foram selecionados, ao todo, 60 projetos de teatro de rua, concorrendo em todo o território nacional. No Ceará, tivemos quatro projetos selecionados: Nóis de Teatro (Fortaleza-CE); Cia Catirina (Fortaleza-CE); Grupo de Teatro Carrapicho (Canindé – CE) e Cervantes do Brasil (Icapui-CE). Destaque para o premio ao projeto “Junio Santos & Cervantes do Brasil - Pelos Cafundós Nordestino”, do nosso mestre popular Júnio Santos, criador do Movimento Escambo Popular Livre de Rua.

O projeto do Nóis, a ser realizado em parceria com a COMOV – Comunidade em Movimento da Grande Fortaleza, nossa fiel parceira, tem como principal objetivo Circular com o espetáculo “A Granja” (Nóis de Teatro – Granja Portugal / Fortaleza-CE) em 02 “favelas” de Recife/Olinda e 10 de Fortaleza-CE, 1º e 2º lugar em maior numero de favelas do Brasil, respectivamente.

Entre os objetivos principais, podemos destacar ainda:
• Realizar o intercâmbio artístico e cultural com os projetos social Peixearte (Olinda) e Crescendo no Morro (Recife), em Pernambuco;
• Realizar o intercâmbio com o Grupo de Teatro Popular Vem Cá, Vem vê, de Recife – PE;
• Promover o intercâmbio entre as periferias de Fortaleza, Olinda e Recife, discutindo estratégias para o desenvolvimento da produção cultural desses espaços;
• Discutir o conceito de “favela” apresentado pelo espetáculo;
• Discutir os conceitos de cultura popular e cultura de massa, identificando as manifestações culturais da periferias de Fortaleza, de Olinda e de Recife.

Posted by Nóis de Teatro On 10:16



Nóis de Teatro participa do I Festival Cultural Terra Viva, Terra de Arte

O Nóis de Teatro participará do I Festival Cultura Terra Viva, Terra de Arte, a ser realizado de 25 a 28 de novembro, em Canindé – CE. O objetivo do Festival é reunir os grupos culturais de assentamentos de reforma agrária envolvidos no Pontão de Cultura Terra Viva, Terra de Arte, do Assentamento Todos os Santos, em Canindé – CE.
Em virtude do forte envolvimento do Nóis com os grupos de reforma agrária, através da circulação de O Juiz de Paz na Roça em assentamentos e da residência financiada pelo Premio Interações Estéticas da FUNARTE, o Nóis foi convidado para integrar a programação com a apresentação do espetáculo “A Granja” e da realização da oficina “Iniciação Teatral”, com Gleilton Silva e Duda Lemos.
A programação é inteiramente gratuita e acontecerá na sede do município e no Assentamento Todos os Santos, Canindé – CE.

SERVIÇO
A Granja
Dia 28 de novembro, às 19h
Local: Assentamento Todos os Santos – Canidé – CE
Gratuito

Oficina Iniciação Teatral

Facilitadores: Gleilton Silva e Duda Lemos
Dias 27 e 28 de novembro, às 8h30
Local: Escola de Segundo Tempo de Canindé – CE
Gratuito