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RELATÓRIO FINAL CARAVANA NOIS DE TEATRO 10 ANOS

Posted by Nóis de Teatro On 09:10

A Caravana Nóis de Teatro 10 anos foi um projeto de circulação dos espetáculos do repertório do Nóis de Teatro pelo Nordeste brasileiro. Financiado pelo Prêmio Funarte Myriam Muniz 2012, o Nóis pode realizar suas apresentações realizando intercâmbios com vários grupos e artistas.

Confira o relato dessa experiência:

VÁ NA DIREÇÃO DO GÁS! E LANCE-O NOVAMENTE!

Posted by Nóis de Teatro On 21:55


Por Bruno Sodré

Saindo de Maceió, partindo pra casa. Cansado, mas fechando os olhos me vem toda a energia que fluiu e rodeou a apresentação de “Sertão.doc” na última noite na 8º Mostra Aldeia SESC Guerreiro de Alagoas. Olhando a estrada querendo fechar os olhos e logo vem a imagens dos olhares da chegada de cada um na cozinha do SESC, espaço que resignificamos como nosso, nossa garagem de rock’n roll. Cabos, fios, aços e luzes pelo chão que fortaleciam esse espaço de encontros, encontro de brasileiros, encontro de baderneiros que planejam ir pra rua, pra mudar o nosso país, e ali era o local escolhido para esse encontro, naquela hora, naquele dia e, pra ser mais especial, o último dia da nossa caravana pelo nordeste.

Cansado e fechando os olhos. É, realmente não consigo descansar. Sentido fragmentos dessa energia. Começando a ouvir “Blues da Piedade” na voz de Altemar di Monteiro e Murilo Ramos. Todos pedindo piedade pra essa gente careta e covarde, fazendo da musica nossa produção de energia, um corpo que grita por mudança e, pra isso acontecer, abdômen preso e veias saindo pelo pescoço, como um revolucionário/ vândalo/ baderneiro que corre na direção do gás lacrimogêneo: ele sabe dos efeitos, mas mesmo assim corre esse risco pra que, com toda força, lance-o novamente. Porque assim surge o caos e nada mais fica na calmaria (caos invisível). Todos ficam em alerta, a flor da pele, um “Kamikaze” (olhando agora pra Murilo Ramos) e “Sertão.doc”, que é de rua feita entre quatro paredes por conta da chuva, com Dario Oliveira que, cansado depois de 17 horas de viagem, chega pra apresentação sem ter tempo de respirar, ele faz do espetáculo essa respiração. Apresento outro kamikaze Jefferson Saldanha que foi capaz de se em pendurar pra que as imagens do projetor dessem certo. Olhando pra você Murilo dormindo e te digo, realmente fomos todos kamikazes! Não fomos? Responda-me quando acordar.

Maceió deixara lembranças, lembrança da companheira que abracei na cena do ‘Patrão nosso de cada dia’, do companheiro que me deu um sorriso e me estendeu a mão quando Jeremias estava cantando musica de ninar. Veio-me agora a imagem de um senhor que assistiu os três espetáculos (A granja, O que mata é o costume e Sertão.doc) nos dias anteriores, que estava com a camisa amarela e que não consegui falar após o espetáculo para agradecer, mas agradeço a cada um. A cada um que gritou junto com a gente.

O ESCARCÉU UNDERGROUND QUE CONTAGIOU A RIBEIRA – CARAVANA SE DESPEDE DO RIO GRANDE DO NORTE

Posted by Nóis de Teatro On 07:22



Por Henrique Gonzaga e Altemar di Monteiro


Com o apoio da FUNARTE e do Premio Myriam Muniz 2012, a Caravana Nóis de Teatro 10 anos se despediu na ultima segunda-feira (15) das terras potiguares com a certeza de dever cumprido. Foram muitas emoções e experiências inesquecíveis.

Em Mossoró, “A Granja” ocupou o Largo do Memorial da Resistência, espaço dedicado ao povo que lutou contra a "invasão" do Bando de Lampião. Lá, Ze da Granja demarcou território e o povo mais uma vez brincou, riu, emocionou-se e reuniu-se pra lutar contra a tirania do opressor. Agradecemos imensamente a Cia Escarcéu por tudo o que nos proporcionou, desde toda a articulação na cidade até a noite de trocas e intercâmbios que tivemos após a apresentação. 




De Mossoró partimos pra Natal. Lá nos encontramos com dois novos companheiros de luta, o pessoal do Coletivo Fulô e a galera do Giradança, que nos receberam de braços abertos. No sábado, após o lançamento do livro “A arte que vem das Margens”, o espetáculo “Sertão.doc” foi apresentado em um espaço que parecia ter sido feito para ele: uma rua do Centro Histórico de Natal, conhecida por suas casas de rock and roll, onde várias tribos se reúnem num ambiente altamente underground e transgressor, clima perfeito para nossas guitarras, baterias e o discurso de luta. Foi simplesmente inesquecível.

No domingo continuamos em Natal, mas dessa vez havia um grande diferencial: apresentamos no Circuito Cultural da Ribeira. “O que mata é o costume” aconteceu no mesmo espaço onde tinha sido apresentado “Sertão.doc”. Ao chegarmos no local, a chuva veio junto. A chuva não parava. Procurávamos alternativas para a apresentação, mas em um breve descuido de São Pedro, armamos todos os equipamentos e fomos pra rua. Se no sábado a energia underground contagiava o espaço, no domingo, o sentimento pop-eletrônico da discotecagem dos deejays e o hip-hop dançado pelos grupos da região estimulavam a pulsão do espetáuculo “ O que mata é o costume”.

Aproveitando a trégua da chuva começamos o espetáculo, em poucos minutos toda uma rua estava em uma grande festa, onde as energias diversas se encontraram e proporcionaram uma explosão de sentimentos em todos que estavam alí, principalmente nós, atores. A cada pergunta, a cada sugestão, a cada suposição toda aquela rua entrava na cena e questionava, tentava responder e principalmente se identificava, o que marcava ainda mais a grande diversidade do espaço.



 Agradecemos muito aos amigos do Coletivo Fulô e do Giradança que nos proporcionaram momentos inesquecíveis e esperamos voltar em breve para continuar essa história que apenas começou a ser escrita. Voltamos para estrada, continuando a Caravana Nóis de Teatro 10 anos. Nesse momento estamos em João Pessoa, na sede do Grupo Quem tem Boca é Pra Gritar! Ta sendo incrível. Em breve lançamos mais informações.

NÓIS DE TEATRO PARTE NORDESTE A DENTRO APRESENTANDO SEUS ESPETÁCULOS

Posted by Nóis de Teatro On 11:08


Malas prontas. Os cases de equipamentos, cenários, adereços, araras de figurinos e estojos de maquiagens estão prontos pra seguir viagem. Uma equipe de 16 profissionais, entre atores, diretores, músicos, cinegrafista e técnicos viajam durante 10 dias pelo nordeste brasileiro, apresentando a produção do teatro de rua cearense: o repertório de três espetáculos do Nóis de Teatro. Na nossa bagagem levamos “O que mata é o costume”, “Sertão.doc”, “A Granja” e a sede intensa de trocar com artistas, fazedores, grupos de teatro e com o publico em geral, das cidades, dos campos e periferias.

Já tendo passado por São Luis, Salvador e Teresina, em julho continuamos a nossa etapa nordeste. Entre os dias 12 a 21 de julho de 2013, realizamos a etapa Nordeste da Caravana Nóis de Teatro 10 anos. Realizada com o apoio da FUNARTE, projeto vencedor do Prêmio Myriam Muniz 2012, a circulação começa por Mossoró-RN com o espetáculo “O que mata é o costume”, integrando a programação de 27 anos da Cia Escarcéu de Teatro, com o apoio do grupo e do SESC. No sábado, dia 13 desembarcamos em Natal, no Espaço Cultural Giradança onde, com o apoio do Coletivo Fulô, realizaremos o lançamento do nosso livro e a apresentação de “Sertão.doc” e “O que mata é o Costume”. O ônibus parte pra João pessoa, apresentando “Sertão.doc” e “A Granja” em duas praças distintas, finalizando com o lançamento do livro na sede dos companheiros da Cia Quem Tem Boca é Pra Gritar! Por ultimo, o grupo, depois de tres anos retorna a Recife, dessa vez, além de reapresentar “A Granja”, exibiremos “Sertão.doc”, contando com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Recife. Em agosto, a Caravana segue pelo interior do estado do Ceará, finalizando em Maceió, dentro da Mostra SESC Guerreiros de Alagoas. A construção da poética de um grupo de teatro da periferia de Fortaleza esta sendo vista em praças, periferias, assentamentos rurais e equipamentos culturais dos estados do nordeste brasileiro, fortalecendo a nossa pesquisa acerca da poética do espaço e construindo possibilidades de realização do teatro de rua nos mais diversos cantos e territórios.

Para além das apresentações em todas as cidades, a Caravana tem proporcionado o intercâmbio entre o Nóis e os grupos de teatro do Nordeste que fazem parte da Rede Brasileira de Teatro de Rua, realizando também o lançamento do livro e do Documentário de 10 anos do grupo. Os intercâmbios e interações estéticas produzidos nesse processo têm a finalidade de discutir os mecanismos para o fomento e fortalecimento da arte feita nas ruas, em especial aquelas marginalizadas, do movimento das periferias e do campo.

Serviço:

Grupo: Nóis de Teatro, Fortaleza-CE
Espetáculos: “A Granja”, “Sertão.doc” e “ O que mata é o costume”
Cidades: Mossoró-RN, Natal-RN, João Pessoa-PB e Recife-PE.
Período: 12 a 21 de julho de 2013
Mais informações: (85) 8720.1135 / 9920.1134 / 8678.5661
Noisdeteatro.blogspot.com


Para ver nossa programação completa clique aqui

AGENDA NÓIS DE TEATRO – JULHO DE 2013

Posted by Nóis de Teatro On 21:27


Dias 04, 05 e 06 de julho, quinta a sábado, as 18h
O que mata é o costume” – Direção: Altemar di Monteiro
Praça da Gentilândia – Benfica
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012


Dia 07 de julho, domingo, as 16h
Estreia dos esquetes resultado das oficinas de Teatro do Oprimido
Retirantes” – Direção: Edna Freire e Amanda Freire
O Homem da Cabeça de Papelão” – Direção: Nayana Santos e Dorotéia Ferreira
Local: Centro Cultural Bom Jardim


Dia 09 de julho, terça-feira, as 11h
A Granja” – Direção: Altemar di Monteiro
Unidade do SESC Centro


Dia 12 de julho, sexta-feira, as 18h
O que mata é o costume” – Direção: Altemar di Monteiro
Praça do Memorial da Resistência – Mossoró – RN
Aniversário de 27 anos do Grupo Escarcéu de Teatro
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012 e SESC-RN


Dia 13 de julho, sábado, as 17h
Lançamento do Livro “A Arte que vem das Margens” + Documentário “Um Pouco Sobre Nóis
Espaço Cultural GiraDança – Natal - RN


Dia 13 de julho, sábado, as 19h
Sertão.doc” – Direção: Murillo Ramos
Espaço Cultural GiraDança – Natal - RN
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012


Dia 14 de julho, domingo, as 17h
O que mata é o costume” – Direção: Altemar di Monteiro
Espaço Cultural GiraDança – Natal - RN
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012


Dias 16 e 17 de julho, terça e quarta-feira, as 19h
Sertão.doc” – Direção: Murillo Ramos
Praça da Paz – João Pessoa – PB
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012


Dias 17 de julho, quarta-feira, as 17h
A Granja” – Direção: Altemar di Monteiro
Praça da Paz – João Pessoa – PB
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012


Dias 18 de julho, quinta-feira, as 17h
A Granja” – Direção: Altemar di Monteiro
Praça Conto de Cem Réis – João Pessoa – PB
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012


Dia 18 de julho, quinta-feira, as 19h
Lançamento do Livro “A Arte que vem das Margens” + Documentário “Um Pouco Sobre Nóis
Sede da Cia “Quem tem boca é pra gritar!” - Centro Histórico – João Pessoa – PB


Dia 19 e 20 de julho, sexta e sábado, as 17h
A Granja” – Direção: Altemar di Monteiro
Local: Pátio de São Pedro-| Recife- PE
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012 e Secretaria Municipal de Cultura de Recife


Dia 19 de julho, sexta-feira, as 19h30
Lançamento do Livro “A Arte que vem das Margens” + Documentário “Um Pouco Sobre Nóis
Local: A definir| Recife- PE


Dia 20 de julho, sábado, as 19h
Sertão.doc” – Direção: Murillo Ramos
Local: Pátio de São Pedro | Recife- PE
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012 e Secretaria Municipal de Cultura de Recife


Dia 21 de julho, domingo, as 18h
Sertão.doc” – Direção: Murillo Ramos
Local: Praça do Arsenal | Recife- PE
Apoio: Premio FUNARTE Myriam Muniz 2012 e Secretaria Municipal de Cultura de Recife


Dia 27 de julho, sábado, as 19h
O que mata é o costume” – Direção: Altemar di Monteiro
Local: Sede do Grupo Populart - Conj José Walter | Fortaleza – CE
I Circuito Alternativo de Teatro


Dia 28 de julho, domingo, as 19h
Quase Nada” – Direção: Altemar di Monteiro - ESTRÉIA!!!!
I Circuito Alternativo de Teatro| Movimento Todo Teatro é Político
Local: Sede do Nóis de Teatro / Programação a definir


Dia 31 de julho, quarta-feira, as 20h
Quase Nada ” – Texto de Marcos Barbosa - Direção: Altemar di Monteiro
Local: Instituto de Cultura e Arte da UFC
Av Carapinima, 1615 (próximo à Av. Domingos Olímpio)


Dia 01 de agosto, quinta-feira, as 20h
Quase Nada ” – Texto de Marcos Barbosa – Direção: Altemar di Monteiro
Local: Instituto de Cultura e Arte da UFC
Av Carapinima, 1615 (próximo à Av. Domingos Olímpio)


Programação Gratuita. Sujeita a alterações.

NUM PROTESTO APOTEÓTICO, ÉPICO, CARNAVALESCO, IRÔNICO E POÉTICO...

Posted by Nóis de Teatro On 13:54


Por Érika Gomes
Chegamos ao Planalto Pici, bairro da periferia de Fortaleza, populoso, conhecido por muitos através dos meios de comunicação pelos problemas de água, de saneamento e pela violência. Conhecido por nós como um bairro do Maracatu Nação Pici, pela Quadrilha Tongil, pelos trabalhos do Bando Gambiarra, do Coletivo Muquifo e do Espaço Frei Tito – Escuta.Enfim, para nós estávamos indo para um lugar onde a arte da margem brota do chão, que respira tradição popular, com seus reisados de porta em porta, que reúne uma roda de coco no bar do seu Gervas. Um lugar de poesia, de coisas simples e bonitas, de pessoas que andam de bicicleta, que vão a feira no domingo pela manhã. Enfim, um lugar habitado por pessoas boas, capazes de produzir o belo, o poético, a arte.
Primeiro encontramos com o pessoal do Espaço Frei Tito – Escuta, trocamos de roupa e seguimos em cortejo pelas vielas do Pici. Cantando nossas músicas, nos deparando com pessoas sentadas nas calçadas no fim de tarde. “Gente da gente, povo guerreiro, favela!”. Chegamos à quadra e lá estavam nossos amigos do Coletivo Muquifo, percebemos o cuidado e o carinho que eles tiveram para preparar a nossa ida, um cartaz feito à mão anunciava o dia e o horário da apresentação, e um fanzine com uma foto, passava de mão em mão. O aviso estava dado à comunidade: hoje tem teatro! Chegamos e ocupamos a quadra e o povo se organizou ao redor.



Sentimos a vibração das pessoas, a energia viva do povo pobre da periferia. Não foi uma apresentação teatral convencional, não existia uma clara separação entre platéia e os atores. O público também teve suas cenas, onde os próprios atores tiveram que parar para ver, se tornando expectadores do seu público. Quase sempre os expectadores se voltavam contra os discursos autoritários de Zé da Granja, o latifundiário. Os atores que representavam os opressores quase não conseguiam falar seu texto, pois a oposição era grande e contagiante.
Nesse dia o povo bolou no chão como nunca na cena do dinheiro. Sentiamos que estávamos nos apresentamos para as pessoas que mais entendiam o que estávamos falando. Sim, o povo, a plebe das periferias de fortaleza sabe o que é luta de classes, da luta diária dos trabalhadores, algo bem próximo da realidade de cada um que assistia aquelas cenas. Consciência de classe sim! Pois não é necessário ler Marx para entender que existe exploração e opressão.

Saímos do Pici com uma alegria contagiante no coração, uma euforia, um sentimento de troca único. Aquela apresentação entrou para a história do grupo Nóis de Teatro. Percebemos a importância de estar com nossos parceiros de luta, os grupos da periferia como Nóis, e de estar em contato com as pessoas que estão nas margens e compreendem a arte de resistência, aquela que nos dedicamos a fazer, pois somos também fruto das contradições da favela, do gueto. Não falamos de algo distante da nossa realidade, gritamos alto, cantamos e dançamos apenas a opressão que também nos mutila. 

NÓIS DE TEATRO DISPONIBILIZA DOCUMENTÁRIO “UM POUCO SOBRE NÓIS”

Posted by Nóis de Teatro On 12:21



Lançado no final do ano de 2012 como ação celebrativa dos 10 anos do Nóis de Teatro, o Documentário “Um Pouco Sobre Nóis” foi produzido com o apoio da FUNARTE e do Premio Myriam Muniz 2011, sendo distribuído junto com o livro- A Arte que vem das margens: 10 anos de Nóis de Teatro, publicação organizada por Altemar di Monteiro e que traz a sistematização das experiências vividas pelo grupo.

Ao longo dos últimos meses, o documentário já teve 03 lançamentos, sendo dois em Fortaleza (sede do Nóis de Teatro e Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno) e uma em Arneiroz, no VII Festival dos Inhamuns. Nesse período, ele tem sido distribuído para grupos, artistas e demais entidades da cultura da cena cearense e nacional. Nesse momento, disponibilizamos na internet o vídeo que foi produzido pela BENTV e teve a direção de Anso Rodrigues e Pedro Martins. Na plataforma online, o video está disponível para exibição em espaços públicos, escolas, grupos de teatro, pontos de cultura e demais organizações públicas interessadas no fomento, difusão e formação em arte, desde que seja de forma gratuita.

Durante o mês de julho, o documentário também será lançado em cinco capitais nordestinas (Natal, João Pessoa, Recife, Maceió e Salvador), circulando junto com o repertório do Nóis de Teatro na Caravana Nóis de Teatro 10 anos, projeto contemplado com o Premio Myriam Muniz 2012. E viva o teatro de rua cearense! Viva o teatro produzido nas periferias!

Veja o resultado do vídeo e ajude na divulgação:

CHOVE CHUVA! CHOVE SEM PARAR! NÓIS DE TEATRO NO ASSENTAMENTO SANTANA, EM MONSENHOR TABOSA -CE

Posted by Nóis de Teatro On 09:57

Por Jonas de Jesus

Partimos para o assentamento Santana no dia 24 de maio de 2013 em busca de mais uma aventura e múltiplas vivencias pelos assentamentos de reforma agrária do estado do ceará, para apresentação do espetáculo SERTÃO.DOC nessa temporada de 2013, com o apoio do Premio Myriam Muniz 2012. Ao chegar era ocasião de aniversário de 27 de anos do assentamento. De cara vimos a bandeira do MST - Movimento Sem Terra. Para alguns integrantes do grupo, que não conheciam o assentamento, foi curioso ver a bandeira, visto que outros assentamentos que o espetáculo já havia se apresentado não tinha relação direta com o movimento.

Algo que chamou atenção foi apropriação da juventude quanto sua participação na vida da comunidade assentada, sua condição de vida fora da capital, ou das cidades sedes ao redor de suas proximidades. A maneira como essa juventude tem reinventado a forma de vida em sua comunidade, isso nos fez perceber o quanto de autônomo os jovens assentados estão ficando. Também reafirma outra constatação em torno da situação das juventudes assentadas, que havíamos percebido desde o início da montagem do espetáculo SERTÃO.DOC, quando em uma comunidade no município de Independência, ao conversar com um jovem assentado, ele indagava que sua vida era ali, e que não tinha desejo de ir pra cidade, pois a vida do campo estava lhe dando condições de sobrevivência melhor do que se ele estivesse tentando a sorte em outra cidade. No início, essa constatação nos trazia uma inquietação, pois como gente de cidade grande que somos, não compreendíamos, ou pouco compreendíamos essa relação do jovem com a terra. Somente depois de outras vivencias em assentamentos, desde o período de montagem do espetáculo em 2010, e depois com a circulação por vários outros, dentro e fora do nosso estado é que as coisas foram criando sentido na nossa maneira de perceber essa juventude, seu potencial, sua importância para as comunidades e a importância da comunidade para eles. Essa juventude de Santana nos fez voltar à perceber essas questões e refletir isso em nossas vidas, nos lugares onde estamos na capital Fortaleza, na maneira de reinventar nossa existência, sobrevivência e à própria vida. Dessa maneira também foi possível identificar que tipo de contribuição estamos recebendo com esses “sujeito de saberes e fazeres”, e como eles influem e são importante no movimento da Rede de Teatro da Periferia e Campo, uma rede criada a partir das nossas vivencias e de outros grupos de fortaleza em assentamentos e do apoio do Projeto Arte Cultura na Reforma Agrária.

As crianças e adultos também não deixaram de ficar sem serem notados, pois suas insistências em permanecer no lugar onde iríamos apresentar o espetáculo, mesmo diante de todas as adversidades, os fizeram únicos.

Acontece que o terreiro onde escolhemos para montar nossas parafernalhas técnicas, aconteceu um fenômeno natural que era bom, já que estamos vindo dias de seca no nordeste brasileiro, porém, naquele momento, tudo o que não queríamos era chuva, visto que estávamos trabalhando com muito material sensível, como projetor, teclados, violão, mesa de som, guitarras, microfones e etc. De início, vimos um céu meio nublado, mas como estamos vivendo o fenômeno da seca no sertão, e consultando alguns moradores, certificamos que não correríamos risco. Durante a montagem do material iniciou-se uma ventania que começou arrastar tudo o que estava mais leve, como cadeiras, mesas, o nosso telão de uns 4m². Deu-se início algumas pingadas, e a ventania havia parado. Para as pessoas mais experientes, dizia que era sinal que ia cair chuva, mesmo assim persistíamos, porque a comunidade também persistia para ver o espetáculo e por isso insistíamos em apresentar e/ou encontrar um melhor lugar, porem as horas estavam estourando e não dava tempo desmontar tudo e remontar em outro lugar, assim decidimos fazer lá no local que escolhemos, ao ar livre. Depois de nos vestirmos, ao sair para fora da pequena cozinha que foi nos cedido, não tinha mais jeito: a chuva já começara, molhando alguns equipamentos eletrônicos do espetáculo. Por sorte contamos com a ajuda de “Seu Edi”, nosso motorista, e outras pessoas da comunidade. Com esse equipamento técnico molhado e o risco de chover mais, foi o jeito cancelar a apresentação. Dessa forma lamentamos muito não termos apresentado, e justamente por ser o aniversário do assentamento, prometemos voltar, junto ao projeto Arte Cultura na Reforma Agrária, pois percebemos que o espetáculo tem muito a ver com aquela comunidade que queria muito ver o espetáculo. Vários carros pau de arara haviam levado gente para assistir o espetáculo, que foi divulgado em escolas, e outros assentamentos, porém fomos vencidos por força maior, mas não lamentamos muito, porque chuva é o que estamos precisando no nordeste, então foi por uma boa causa.

Fortaleza, 27 de Maio de 2013