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CHOVE CHUVA! CHOVE SEM PARAR! NÓIS DE TEATRO NO ASSENTAMENTO SANTANA, EM MONSENHOR TABOSA -CE

Posted by Nóis de Teatro On 09:57

Por Jonas de Jesus

Partimos para o assentamento Santana no dia 24 de maio de 2013 em busca de mais uma aventura e múltiplas vivencias pelos assentamentos de reforma agrária do estado do ceará, para apresentação do espetáculo SERTÃO.DOC nessa temporada de 2013, com o apoio do Premio Myriam Muniz 2012. Ao chegar era ocasião de aniversário de 27 de anos do assentamento. De cara vimos a bandeira do MST - Movimento Sem Terra. Para alguns integrantes do grupo, que não conheciam o assentamento, foi curioso ver a bandeira, visto que outros assentamentos que o espetáculo já havia se apresentado não tinha relação direta com o movimento.

Algo que chamou atenção foi apropriação da juventude quanto sua participação na vida da comunidade assentada, sua condição de vida fora da capital, ou das cidades sedes ao redor de suas proximidades. A maneira como essa juventude tem reinventado a forma de vida em sua comunidade, isso nos fez perceber o quanto de autônomo os jovens assentados estão ficando. Também reafirma outra constatação em torno da situação das juventudes assentadas, que havíamos percebido desde o início da montagem do espetáculo SERTÃO.DOC, quando em uma comunidade no município de Independência, ao conversar com um jovem assentado, ele indagava que sua vida era ali, e que não tinha desejo de ir pra cidade, pois a vida do campo estava lhe dando condições de sobrevivência melhor do que se ele estivesse tentando a sorte em outra cidade. No início, essa constatação nos trazia uma inquietação, pois como gente de cidade grande que somos, não compreendíamos, ou pouco compreendíamos essa relação do jovem com a terra. Somente depois de outras vivencias em assentamentos, desde o período de montagem do espetáculo em 2010, e depois com a circulação por vários outros, dentro e fora do nosso estado é que as coisas foram criando sentido na nossa maneira de perceber essa juventude, seu potencial, sua importância para as comunidades e a importância da comunidade para eles. Essa juventude de Santana nos fez voltar à perceber essas questões e refletir isso em nossas vidas, nos lugares onde estamos na capital Fortaleza, na maneira de reinventar nossa existência, sobrevivência e à própria vida. Dessa maneira também foi possível identificar que tipo de contribuição estamos recebendo com esses “sujeito de saberes e fazeres”, e como eles influem e são importante no movimento da Rede de Teatro da Periferia e Campo, uma rede criada a partir das nossas vivencias e de outros grupos de fortaleza em assentamentos e do apoio do Projeto Arte Cultura na Reforma Agrária.

As crianças e adultos também não deixaram de ficar sem serem notados, pois suas insistências em permanecer no lugar onde iríamos apresentar o espetáculo, mesmo diante de todas as adversidades, os fizeram únicos.

Acontece que o terreiro onde escolhemos para montar nossas parafernalhas técnicas, aconteceu um fenômeno natural que era bom, já que estamos vindo dias de seca no nordeste brasileiro, porém, naquele momento, tudo o que não queríamos era chuva, visto que estávamos trabalhando com muito material sensível, como projetor, teclados, violão, mesa de som, guitarras, microfones e etc. De início, vimos um céu meio nublado, mas como estamos vivendo o fenômeno da seca no sertão, e consultando alguns moradores, certificamos que não correríamos risco. Durante a montagem do material iniciou-se uma ventania que começou arrastar tudo o que estava mais leve, como cadeiras, mesas, o nosso telão de uns 4m². Deu-se início algumas pingadas, e a ventania havia parado. Para as pessoas mais experientes, dizia que era sinal que ia cair chuva, mesmo assim persistíamos, porque a comunidade também persistia para ver o espetáculo e por isso insistíamos em apresentar e/ou encontrar um melhor lugar, porem as horas estavam estourando e não dava tempo desmontar tudo e remontar em outro lugar, assim decidimos fazer lá no local que escolhemos, ao ar livre. Depois de nos vestirmos, ao sair para fora da pequena cozinha que foi nos cedido, não tinha mais jeito: a chuva já começara, molhando alguns equipamentos eletrônicos do espetáculo. Por sorte contamos com a ajuda de “Seu Edi”, nosso motorista, e outras pessoas da comunidade. Com esse equipamento técnico molhado e o risco de chover mais, foi o jeito cancelar a apresentação. Dessa forma lamentamos muito não termos apresentado, e justamente por ser o aniversário do assentamento, prometemos voltar, junto ao projeto Arte Cultura na Reforma Agrária, pois percebemos que o espetáculo tem muito a ver com aquela comunidade que queria muito ver o espetáculo. Vários carros pau de arara haviam levado gente para assistir o espetáculo, que foi divulgado em escolas, e outros assentamentos, porém fomos vencidos por força maior, mas não lamentamos muito, porque chuva é o que estamos precisando no nordeste, então foi por uma boa causa.

Fortaleza, 27 de Maio de 2013

SERTÃO.DOC EM NOVA TURNÊ PELOS ASSENTAMENTOS

Posted by Nóis de Teatro On 09:53


 As preparações para o II Encontro da Periferia e do Campo estão a todo vapor. O encontro será realizado entre os dias 23 e 25 de novembro no Assentamento Todos os Santos, em Canindé – CE. Nesse momento, estamos realizando uma ação preparatória, fortalecendo o contato e a discussão com os grupos, com contatos reais, realizando intercâmbios, com oficinas e apresentações de espetáculos. A mesma estratégia será com os assentamentos cearenses. Essa ação já vem sendo desenvolvida pelo Nóis de Teatro com uma maior freqüência, quando da circulação de espetáculos, realização de oficinas, vivências, residências, etc, nos assentamentos. Nessa etapa, estamos fazendo um novo circuito com o espetáculo “Sertão.doc” com o patrocínio do Programa BNB de Cultura 2012 – Parceria BNDES. O novo circuito trará novos três assentamentos cearenses: Assentamento Monte Orebe – Canindé; Assentamento Ipanema – Alto Santo; e, Assentamento Terra Nova – Morada Nova. Essas comunidades foram escolhidas por terem grupos de teatro com foco num teatro engajado e com poucos recursos de trabalho, além da articulação do Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária – INCRA-CE. Os grupos são, respectivamente, “Brilho do Sol”, “Deu Zebra no Teatro” e “Duas Caras em Caras Novas”.

Estivemos no Assentamento Monte Orebe no ultimo dia 29 de setembro, sábado, numa ação de intercâmbio com o Grupo Brilho do Sol.  É através desse contato inicial com três grupos da periferia de Fortaleza e três novos grupos de assentamentos que fortaleceremos as discussões e as redes, quando, no II Encontro da Periferia reencontraremos esses grupos com seus respectivos espetáculos.



SERTÃO.DOC JÁ PASSOU POR MAIS DE 26 CIDADES BRASILEIRAS

Posted by Nóis de Teatro On 07:33

Acompanhe no vídeo:

Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária

Posted by Nóis de Teatro On 16:57




A parceria com o Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária (PACRA), do INCRA-CE, surgiu do processo de pesquisa sobre os grupos culturais de resistência. O Nóis aproximou-se da experiência de ação cultural do PACRA por que o mesmo tem articulado vários grupos de reisado, teatro e dança das áreas de assentamento. Esse trabalho, como um todo, tem identificado novos elementos que apontam para a diversidade cultural dessas populações, as suas formas de sociabilidade e códigos de conduta. Revela também a busca do meio rural por espaços de inserção na sociedade. Mostra-nos que a arte que vem das margens está em efervescência cultural e que estas populações almejam o reconhecimento como produtores de cultura, que se afirmam em seu território e dialogam com o mundo.

Através da parceria efetiva com o PACRA, em 2008, o Nóis de Teatro aprovou junto ao Programa BNB de Cultura o projeto de Circulação do espetáculo O Juiz de Paz na Roça em 05 assentamentos de Reforma Agrária do Ceará, tendo nesse processo se aproximado das experiências culturais do campo, e mais, dos Pontos de Cultura do Ceará. O projeto que teve a sua abertura em julho de 2009, iniciou as suas atividades realizando a apresentação seguida de debate, que incluiu a discussão sobre a temática do espetáculo, a poética, estética e técnica do grupo, e as referências de Cultura Popular Tradicional do Nóis e da comunidade visitada.

Foi a partir da experiência de ocupação do Nóis de Teatro em assentamentos de reforma agrária que surgiu a idéia de pesquisa e montagem do espetáculo Sertão.doc, investindo em um processo de pesquisa que culminou na montagem de um espetáculo que traz na sua performance as histórias de ocupação e reforma agrária das comunidades visitadas e a forte referência da Cultura Popular Tradicional na construção da identidade do homem do campo. A parceria tem continuado e, nos últimos dois anos, o espetáculo “Sertão.doc” tem ocupado os mais diversos territórios através dessa ação conjunta.

Para saber mais sobre o PACRA clique aqui


CONTRA A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA - NÓIS DE TEATRO EM ITAPIPOCA-CE

Posted by Nóis de Teatro On 11:53


Por Jonas de Jesus e Bruno Sodré



A viagem do Sertão.doc pelo município de Itapipoca começou no dia 30 de novembro de 2011, rumo a casa de teatro dona Zefinha a nova parada da arte/ cultura do município, o espaço de invenções como o grupo costuma chamar foi inaugurada em abril deste ano e vem tendo ótimos resultados e para o grupo voltar onde iniciamos a nossa pesquisa com Orlângelo Leal, agora com tudo pronto, foi sensacional.

O município de Itapipoca fica aproximadamente à 300 km de Fortaleza. Sua imagem reflete ser um lugar de festejo, apesar da pequena área com mais ou menos 190 mil habitantes. É lá que está a sede da Dona Zefinha, um grupo constituído por três irmãos com o sobrenome “Leal” e que hoje tem agregado suas companheiras e filhos. O grupo Dona Zefinha é um dos grupos que, ao longo dos seus dez anos de trabalho, utiliza da arte como um processo de desenvolvimento sustentável, trabalhando com dança, teatro, música, dramaturgia e produção cultural, conseguindo se tornar referência na cidade de Fortaleza e, respectivamente, na cidade onde estão inseridos: Itapipoca-Ce. Uma das fortes características do grupo é o engajamento com a cultura popular local. Orlangelo Leal, o líder do grupo foi quem fez acessória de pesquisa e musical do espetáculo Sertão.doc; Joélia Braga, companheira e também integrante do grupo, também esteve no processo do nosso espetáculo confeccionando o figurino; esses vínculos contaram para que viéssemos fazer essa apresentação na cidade.

A casa Dona Zefinha é uma conquista do grupo que há quase um ano vem promovendo atividades teatrais na cidade de Itapipoca. ”O objetivo da casa não é de promover oficinas e/ou cursos artísticos, visto que já existem iniciativas em torno dessa direção, mas de proporcionar formação de platéias, sendo um espaço cultural”, é o que nos fala Orlangelo Leal. Apresentamos o espetáculo “Sertão.doc” num projeto desenvolvido pela “Casa” chamado “Rua da Alegria”.

Ocupamos uma praça bastante movimentada no centro da cidade, alguém falou que era a primeira vez que o projeto “Rua da Alegria” apresentava ali. A princípio pensamos que não haveria público, mas aos poucos foram chegando, as crianças logo se fizeram perceber como público motivante, com elas os pais se aproximaram. Durante a montagem percebemos certo interesse de alguns transeuntes que passavam e perguntavam curiosos – O que vai acontecer ai? – É um espetáculo teatral! Respondíamos.

Mais uma vez o sertão.doc modifica a rotina atemporal do município com suas bicicletas e mascaras e as imponentes cores vermelhas, o fato de estarmos ali montando o cenário já atraia o público que ficou até a última cena, tivemos uma ótima interação com as crianças que entrou nas cenas.
          


Assentamento Maceió.

No dia seguinte arrumamos nossas malas para o assentamento Maceió que fica a 200km de fortaleza e que é dividido em onze comunidades: Apiques, Córrego da Estrada, Coqueiro, Jacaré, Humaitá, Bode, Mateus, Córrego Novo, Bom Jesus, Lagoinha e Maceió (Fonte: www.tucum.org/). Por ser uma região do litoral o caminho foi um pouco difícil o carro atolou, mas mesmo assim conseguimos chegar, durante todas as viagens que o sertão fez não pensávamos se o caminho estava alagado por conta das chuvas ou se estava com muita areia, seja no sertão ou litoral, pensávamos em chegar e conhecer os assentamentos, uma vontade de conhecer mais uma história de luta pela terra. Essa vontade se explica pelo motivo de que cada região/assentamento tem sua história especifica de ocupação, por exemplo os assentamentos da região do sertão tem uma luta contra os fazendeiros que com suas vastas extensões de terra não utilizam nem 20%, deixando um enorme espaço em esquecimento e o pior é que cercam com arames e estacas marcando o seu poderio econômico e o tamanho de sua ganância. Além do fazendeiro existem grandes empresas que montam seus gigantescos negócios, seja ele de plantações ou de bebidas alcoólicas. No litoral a situação dos assentados é a luta contra empresários do ramo de turismo que brigam na justiça por toda a faixa de areia e o consumo total da riqueza que o mar oferece (peixes,cultivo de algas e beleza natural). Com o assentamento Maceió não é diferente, os assentados buscaram a parceria com MST e formas de turismo solidário (rede tucum) para fortalecer a permanência na terra.



O assentamento Maceió fica numa região praieira do município de Itapipoca- Ce. O lugar é um verdadeiro paraíso tropical, onde guarda um patrimônio cultural natural muito rico que constituem a praia, as dunas e a vegetação. Por ter uma beleza paisagística que já não se encontra mais na maioria das praias de Fortaleza, o lugar é cobiçado pelas especulações imobiliárias a favor da prática do turismo lucrativo.

Os assentamentos que vivem em regiões praieiras estão constantemente em conflitos com as classes turísticas e estrangeiras, a exemplo, na visita ao assentamento Sabiaguaba que fica nas proximidades, beirando mar do assentamento Maceió, ficamos sabendo do Projeto Pirata que, pelo que compreendemos, visa a evasão das famílias assentadas para a construção de hotéis, bares e restaurantes turísticos. Esse é um grande projeto que assombra as famílias desses assentamentos.



Conversando com um assentado ele me falou da disputa pela terra que estava acontecendo contra os empresários do ramo de turismo, para ser mais exato contra o “PIRATA”, que afirma ser dono das terras e briga na justiça contra a ocupação, lembro-me agora de um outro assentamento que visitamos e que luta contra o mesmo empresário o assentamento Caetano de cima que está na mira dos empresários. Será que a ganância é para garantir toda a faixa de areia de norte ao sul?

Agora tenho a certeza de que Fortaleza está e sempre foi entregue as moscas toda sua faixa praieira foi tomada por empresários estrangeiros que com os seus hotéis e casas de show ganha mais força com o governo, virando um ciclo vicioso (mais turista, mais dinheiro/mais monumentos bonitos, maior visibilidade para ganhar mais verba federal). A luta dos assentados é o que mantém a beleza do local intacta, só modificada pelo vento que desenha traços nas dunas, fazendo-as mudar de direção ou pela sensação de ficar parado na praia sentindo as águas termais (hora é fria outra hora morna), sensações que são impossíveis pensar que poderiam ser privadas. Um dos atores fez o seguinte comentário “e pensar que Fortaleza já foi assim”, repito e, digo mais: “e pensar que novamente alguém quer mostrar seu poder econômico e mostrar a ganância”... Que a luta continue e que a vitória dos assentados seja conquistada por que o que percebemos ao final da apresentação é a afirmação de que a luta não acabou.

Aprendendo lições de beira-mar.

Seu Zé foi um pescador que nos guiou até o banho de águas doce em lençóis, era uma piscina de água salgada e que na parte de cima era gelada e em baixo quente, ele nos disse que contraditoriamente no inverno a piscina natural seca e no verão enche. Falou do seu ofício de pescador e que varia sua entrada no mar, às vezes vai à semana toda e às vezes entra apenas três vezes, dependendo da “puxada”. Disse ainda que fatura uns seiscentos reais por semana que dá pra sustentar a família e fazer a manutenção de sua barca, mas que esse dinheiro não paga o risco que corre dentro do mar, o mar é muito traiçoeiro, só vai mesmo porque é a maneira que encontrou de sobreviver, nos diz ele dando ênfase, aprendera a pescar aos treze anos de idade acompanhando os mais velhos. Seu Zé também falou da especulação imobiliária que já começou a incomodar aos arredores, um grupo de Holandeses que vê interesse vantajoso na região. O homem de 48 anos de idade muito bem vivida fala com gosto da beleza daquele lugar, habitada apenas pelos nativos, se orgulha da tranqüilidade e de poder ser de lá. Por fim o velho Griôt dos mares nos ensina as malícias de conduzir uma barca em alto mar, de como pode percorrer contra o vento e o que fazer quando a barca virasse um episódio que acontecerá com ele no dia anterior à nossa conversa.



A apresentação
           
A apresentação foi articulada em parceria com o Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária, do INCRA-CE. Apresentamos na Escola Rural do Assentamento Maceió, um espaço fantástico com ampla estrutura, a falta de água era perceptível, pois a bomba estava há uma semana quebrada. Na ocasião da apresentação havia uma avaliação do MEC e que os alunos não poderiam deixar de fazer, coisa do “sistema”, por esse motivo o espetáculo só pode se apresentar depois das vinte e duas horas. Ainda antes houve a socialização do trabalho com um grupo de jovens e adultos feito pelo músico e educador social Paraíba, num projeto articulado entre o Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária e a ACARTES, com patrocínio da SDT. Era o momento de lançamento para a comunidade dos livretos “MACEIÓ EM CORDÉIS” com as histórias: O Pescador Pensador, A Droga é uma Droga de Francisco Gaspar; Uma História de Luta de Maria da Paz; Tragédia no Mar de Antonio Sousa e Maceió - Cultura e Beleza de Zezinha, todos cordelistas do Assentamento Maceió.

Fizemos a apresentação espetacular para um grupo de sessenta pessoas resistentes, pois o espetáculo se encerrara às 23h20. Ao final ouvimos a fala de alguns líderes do assentamento que se faziam presentes bem como da diretora da escola que em sua fala fez um lamento da escola não está preparada e mobilizada para ver o trabalho do Nóis de Teatro que, em sua avaliação, é uma aula para aquele público estudante.

O que fica para o Nóis de Teatro, sendo que essas duas apresentações fecham o ano de 2011 e praticamente o projeto de circulação apoiado pelo BNB, é que é preciso se fazer uma arte mais engajada, que transforme a vida das pessoas, que possamos pensar em estética teatral, mas que não fiquemos apenas nessa discussão e sim entremos na discussão das coisas que afetam a vida das pessoas, pois o nosso teatro é de rua e, só por sê-lo de rua, ele já é político.

TEMPORADA “SERTÃO.DOC” NO MARANHÃO Por Murillo Ramos

Posted by Nóis de Teatro On 07:54




"A caravana “Sertão.doc” chega no maranhão na madrugada do dia 29 de agosto para duas apresentações: uma na praça ao lado do teatro João do vale e outra no assentamento Felipa que fica por volta de duas horas da ilha. Muita expectativa de todos. As apresentações iriam acontecer nos dia 30\08 e 01\09 onde teríamos o dia 31\08 para descansar, mas não contávamos que o MST, QUILOMBOLAS e COMUNIDADES INDIGENAS haviam ocupado o INCRA, e essa era uma oportunidade para mostrar o trabalho para quem está diretamente ligado as questões da terra, então o que era folga se transformou em mais um dia de trabalho, um dia de luta.

PRAÇA DO TEATRO JOÃO DO VALE
30 de agosto, terça-feira

Chegamos no local por volta das 15 horas, queríamos chegar cedo para conhecer espaço e ver o que tecnicamente ele nos oferecia. Contamos com o apoio do próprio teatro para base além de ponto de luz e energia elétrica para os nossos equipamentos de som. A praça culturalmente é ocupada por várias tribos que fizeram dali seu ponto de encontro para paqueras, vinhos... Um local para se expressarem da forma que encontrarem. Percebi que teríamos um público jovem mas também disperso e que iriam de alguma forma interferir de alguma forma no espetáculo.

A equipe do espetáculo já está bem coesa no discurso e forma do espetáculo o que já me dá uma certa tranqüilidade, o que realmente ainda me aflige é a forma que optei. Qual seria a saída se de repente um bêbado, um louco ou até mesmo um cachorro entrasse na roda? Penso que dentro do nosso processo chegou a hora de discutirmos as brechas que temos para esses casos, como lhe dar com as interferências que a rua nos dispõe? Alem disso não podemos fazer de qualquer jeito, é preciso ouvir melhor as interferências e aproveita-las a favor do nosso discurso, não somos só nós que temos algo a dizer mas também o público, e se este tem a vontade de lançar sua idéia, seu ponto de vista, ele tem que ser escutado.

O espetáculo correu bem tecnicamente (o que sempre é meu medo), mas o entorno era barulhento com muitos bares e som alto o que nos prejudicou, certa hora o som foi baixado e ficou tudo melhor, mas estamos na rua e isso faz com que tenhamos que ser diplomáticos com o entorno. Espectadores ligados, outros nem tanto, o “sertão .doc” tem um tom jovial o que nos dá garantia de aproximação com esse público. Não foi fácil, mas com seguimos com o trabalho um retorno favorável, aplausos calorosos e trocas com as pessoas sobre o tema, sobre a forma. Esperávamos mais pessoas, mas nos disseram que para uma terça-feira foi um público muito bom, se fosse um final de semana seria um estádio de futebol. Feliz com início de temporada.

INCRA-MA
31 de agosto, quarta-feira

Estava acontecendo uma ocupação no INCRA, os ânimos tensos, estávamos no meio da real luta pela reforma agrária. O que nós debatemos durante meses estava acontecendo ali: assassinatos das lideranças, crimes ambientais, atrasos nos processos, politicagem, tudo sendo discutido dentro do manifesto, e nós com sede de apresentar um trabalho que fala sobre todas essas questões.

O espetáculo, posso dizer que foi um dos mais emocionantes da minha vida,  me deu a certeza de que as escolhas que fizemos foram felizes, aquele público respondia a tudo e sabia de tudo o que estávamos falando, a resposta ao nosso jogo de opressor-oprimido através das canas do capitão, o ato de ver-se, notar-se através do espetáculo, penso que deu a eles um sentimento de que não estavam sós, mas que existiam pessoas que mesmo aparentemente de fora da luta azeitava o discurso, dava coro ao manifesto. Os atores, totalmente à vontade, parecia que estávamos apresentando para amigos, o riso no tempo certo, respostas dadas diante da opressão, tudo de maneira espontânea, de maneira digna. O trabalho está ganhando a utilidade que queríamos, e estamos cada vez mais engrandecidos com o nosso oficio. Um teatro digno.

A euforia culminou numa grande festa, era a festa da cidadania, a festa do dever sendo cumprido, éramos também trabalhadores lutando por melhores condições, trabalhadores da arte lutando por melhorias meio a quilombolas, indígenas, trabalhadores rurais... Naquele instante, como nunca na minha vida, me senti brasileiro, nos sentimos... e somos.



COMUNIDADE FELIPA – ITAPECURU MIRIM
01 de setembro, quinta-feira

Já era 14hs quando chegamos em Felipa, um assentamento quilombola a mais ou menos duas horas de São Luís, e a acolhida foi a base de cânticos de boas vindas juntamente com o tradicional tambor de crioula. Uma parada para o almoço, um breve descanso para conversar com as pessoas do assentamento e desembarcamos o caminhão com o nosso material.

Embora cansados, a apresentação correu bem. O que de algum modo me incomodou foi a falta de ritmo de algumas cenas, principalmente as mais vibrantes, que mereciam maior energia do elenco, mas devido ao cansaço físico elas ficaram lentas, a música de alguma forma também me pareceu sem efeito, mas o contato com o público foi no tempo e hora certa.Percebi que o olhar do público de Felipa foi o do entretenimento, isso não quer dizer que tenham se atinado para o contexto político do espetáculo, mas aconteceu o que a grande maioria pensa, por motivos culturais, o teatro como modo de entretenimento,  mas também houve pessoas que notaram nosso propósito, ouviram, viram e sentiram o que estávamos fazendo ali. Aplausos bastante calorosos, olhares carinhosos, rostos felizes com nossa vinda. Muito o que fazer. Muito o que trabalhar. À partir daqui sinto que temos que abranger outras questões, muitas questões. Será que é isso mesmo?

A temporada no maranhão foi rica e diversa, fizemos amigos, construímos afetos e garantimos abertura para um possível retorno. Retornaremos, tenho certeza disso, de algum modo ficou para o público algo que está na própria forma do espetáculo, o inacabado, as questões que ainda estão abertas sobre a reforma agrária, deixamos tudo isso no ar."







ALGUNS PONTOS A SEREM CONSIDERADOS

A nossa ida para São Luis contou com o apoio primordial do Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária, iniciativa do INCRA-CE que tem mobilizado o GT Nacional de Arte e Cultura na Reforma Agrária. A partir da ótica do projeto pudemos fortalecer as articulações em torno da discussão da arte e da cultura no processo de reforma agrária nacional. A presença da gestora cultural Silma Magalhães foi de extrema importância para a mobilização das ações, bem como pela sua sensibilidade de perceber o momento certo de fazer cada ação. A parceria com a vice-governadoria do Maranhão também foi primordial nessa ação, pois a mesma pôde colaborar com a produção local do espetáculo. Parabéns ao Banco do Nordeste e ao BNDES pela iniciativa de patrocínio a iniciativas como essas.



Fotos de Duda Lemos.


Para conhecer mais sobre o Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária clique aqui

Para saber mais clique aqui

CIRCO DE TERRA VIVA GARANTE O RISO NO ENCONTRO DA PERIFERIA E DO CAMPO

Posted by Nóis de Teatro On 07:21



O espetáculo Circo de Terra Viva, apresentado ontem no I Encontro da Periferia e do Campo, na Granja Portugal, vem fortalecer e confirmar a sentença de que nos assentamentos tem arte, e arte de qualidade. O grupo Muc’Arte, do Assentamento Mucuim, em Arneiroz, apresentou ontem no meio da Rua Barra Vermelha o espetáculo com palhaços, malabaristas, monociclistas, contorcionistas e acrobatas que simulavam a marcha dos sem terra. O cenário caótico da marcha finalmente se dissolve com a chegada a terra viva, onde o sonho de um lugar definitivo para viver, anunciando o grande espetáculo da ocupação bem sucedida.

Intercalando exercícios de acrobacias, com técnicas circenses de palhaço, o trabalho é incrivelmente bem executado. Os meninos do Mucuim possuem um forte domínio sobre malabarismos, pirâmides, palhaços, impressionando o publico de mais de 200 pessoas que viam o espetáculo.

Para a montagem de Circo de Terra Viva, o Grupo Muc’arte possuiu a assessoria do Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária, do INCRA-CE, e a colaboração da ONG Juriti, de Juazeiro do Norte. O Movimento de Arte, Cultura e Cidadania Mucarte é formado por jovens do Assentamento Mucuim I e II (Arneiroz), reunindo cerca de 40 participantes. Formado em 2005, o Muc’Arte  tem uma forte ligação com a música e vem a três anos experimentando a arte circense enquanto linguagem artística e processo educativo.

Maiores informações: (85) 3419-1101 – Seu Cassimiro
Assentamento Mucuim – Arneiroz - CE

Para ver as fotos do Muc'Arte no Encontro clique aqui

GRUPOS DO CAMPO

Posted by Nóis de Teatro On 19:55

GRUPO CARICULTURA
Assentamento Barra do Leme - Pentecoste
Espetáculo: Vídeo Documentário Ciclovida
Dia: 26 de maio, quinta-feira, às 20h30
Contatos: (85) 8854.7793 – Margarida e João Paulo


GRUPO MUC’ARTE
Assentamento Mucuim - Arneiroz
Espetáculo: Circo de Terra Viva
Dia: 27 de maio, sext-feira, às 18h30
FICHA TÉCNICA:  Ariane Sampaio, Cícero Eslavoney, Cristiano Araújo, Deca Germano, Erislânia Lopes, Eufrásio de Castro, Gabriela Alves, Jamile Kelly, Kessiane Braga, Lailton Pinheiro, Ludmila Enoque, Marciana Oliveira, Paulo Henrique Andrade e Vanessa Braga
Palhaços, malabaristas, monociclistas, contorcionistas, pernas-de-pau, acrobatas de solo, acrobatas aéreos invadem o picadeiro simulando uma marcha dos sem terra. Em movimentos circulares um grupo faz movimentos ritmados com bandeiras dos sem terra. O cenário caótico da marcha finalmente se dissolve com a chegada a terra viva, onde o sonho de um lugar definitivo para viver é representado pelo vôo de dois trapezistas anunciando o grande espetáculo da ocupação bem sucedida. Um palhaço anuncia a boa nova, a terra foi conquistada, a posse da terra garantida.
Contatos: (85) 3419.1101 – Seu Cassimiro
Para ver as fotos do Muc'arte no encontro clique aqui


GRUPO CARRAPICHO
Assentamento Todos os Santos - Canindé
Espetáculo: A Farra do Boi Carrapicho
Dia: 28 de maio, sábado, às 17h30
FICHA TÉCNICA:  Natanael (capitão), Emanuel (Mateus), Jucileide (Rainha), Fátima (Dançarina), Patrícia (Dançarina), Evangelina (Dançarina), Erison (Dançarino), Edivan (Dj), Valdeci (Dançarino), Naelha (Dançarina), Jéssica (Burrinha), Jackson (Apresentador), Jonas Apresentador e Rayane (Catirina)
O espetáculo A Farra do Boi Carrapicho tem como ponto de partida a um causo popular do imaginário Cearense tradicional: a brincadeira dos personagens da cultura popular Mateus e Catirina em suas artimanhas  para comerem a língua do boi do capitão.  
Contatos: (85) 91126081 / (85) 99887827 / www.terradearte.com.br
Para ver as fotos do grupo Carrapicho no encontro clique aqui

GRUPO COIVARAS
Assentamento Santa Luzia Umari - Caucaia
Espetáculo: Show de Forró
Dia: 28 de maio, sábado, às 21h
Contatos: Ronaldo
Para ver as fotos do Coivaras no encontro clique aqui


ver programação completa

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NOIS DE TEATRO CONTEMPLADO PELO PROGRAMA BNB DE CULTURA BNDS 2011

Posted by Nóis de Teatro On 08:01


Na última quarta-feira (15) saiu o resultado do Programa BNB de Cultura 2011, onde o projeto SERTÃO EM DOCUMENTO – DOSSIE URBANO EM CONSTRUÇÃO, proposto pelo Nóis de Teatro, em parceria com a Comunidade em Movimento da Grande Fortaleza – COMOV – , foi contemplado. O objetivo geral do projeto é circular com o espetáculo “Sertão.doc”, do Nóis de Teatro, em âmbito estadual e regional, apresentando-o em 08 assentamentos de reforma agrária do Ceará, do Maranhão e da Bahia, além das metrópoles urbanas de Salvador e São Luiz.

O Programa BNB de cultura foi criado pelo Banco do Nordeste em 2005, com o objetivo de democratizar o acesso aos recursos disponíveis para financiamento de ações culturais, desenvolvidas em benefício da Região Nordeste, norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, sua área de atuação. Durante suas cinco edições foram patrocinados 1.131 projetos, beneficiando diretamente 474 municípios.

Essa é a segunda vez que o Nóis de Teatro é apoiado pelo BNB de Cultura. Em 2008, o grupo, também em parceria com a COMOV aprovou o projeto DA PERIFERIA E DO CAMPO – A ARTE QUE VEM DAS MARGENS, que realizou a circulação do espetáculo “O Juiz de Paz na Roça” pelo interior do Ceará.

Acesse o link com o resultado da categoria Artes Cênicas:
http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/eventos/programabnb_decultura/docs/selecionados_artescenicas.pdf

Assentamento Olho D’água – Várzea Alegre - CE – 11 de agosto de 2010

Posted by Nóis de Teatro On 13:22

Local: Terreiro em frente a sede da associação dos trabalhadores rurais

Dia puxado.

Por conta do mal planejamento do trajeto a ser realizado entre os assentamentos, praticamente rondamos o Ceará inteiro. Saimos do assentamento Poço da Onça, em Miraima, por volta de 7h da manhã. Passamos o dia inteiro enlatados dentro de um carro, tentando chegar ao assentamento Olho D’água, que fica geograficamente do lado oposto do Ceará.

Haviamos planejado chegar em Várzea Alegre por volta de 14h. Quando deu o horário marca-do ainda estávamos em Canindé, onde almoçamos. Começamos a ficar preocupados com a distância e com a preocupação em que poderiam estar o pessoal do assentamento. Tentamos ligar para lá, mas não conseguimos. Apenas às 18h, quando ainda estávamos em Acopiara, consegui deixar um recado com a esposa de Evanildo, articulador da ação no assentamento.

Assentamento Poço da Onça - Miraíma - CE – 10 de agosto de 2010

Posted by Nóis de Teatro On 13:21

Local: Torradão Club

Dia cansativo. Calculamos mal a distância entre Madalena e Miraíma. Acabamos passando o dia inteiro viajando. Demos uma parada em Canindé para comprar alguns materiais que se danificaram durante a viagem e para descansar um pouco. Foi ai que demos conta que está-vamos voltando para Fortaleza, para de lá pegar o percurso para o Assentamento Poço da Onça. Preocupamo-nos porque havíamos fechado com a comunidade que almoçaríamos lá, então, com certeza, havia um almoço delicioso nos esperando.

Deu 14h e ainda estávamos muito longe, por isso decidimos almoçar na estrada. Uma pena, porque a comida do João Paulo, cozinheiro da associação de Poço da Onça, é uma delícia. Depois do almoço, viajamos por mais 3h até chega na comunidade às 17h30, em cima da hora, sem ao menos haver tempo para descansar. Fomos direto para o local da apresentação descarregar o material e nos preparar para a apresentação tendo em vista que estava marcada para as 19h.

Assentamento São Joaquim - Madalena - CE – 09 de agosto de 2010

Posted by Nóis de Teatro On 13:19

Local: Terreiro em frente à escola do assentamento

Depois de duas horas de estrada carroçal após a zona urbana do município de Madalena, Chegamos ao assentamento São Joaquim, por volta das 15h da segunda-feira. Mal havia tem-po para descansarmos porque houve um problema com o carro, o pneu furou e o motorista precisava resolver isso. Então, logo após o almoço já fomos no local da apresentação descarregar o material, quando, para nossa surpresa percebemos o quão danificado ficou o material: bicicletas e moveis quebrados, todos empoeirados e sujos.

Seu Edmilson (motorista) conseguiu resolver o problema do carro no próprio assentamento e fomos todos para o córrego do assentamento lavar as bicicletas. Aproveitamos o espaço para tomar um banho no riacho.

Assentamento Ipueira da Vaca – Canindé - CE – 08 de agosto de 2010

Posted by Nóis de Teatro On 13:16


Local: Terreiro da casa de Dona Elisa (viúva do mestre Neo Ramos)

Todos preparados para a primeira turnê do espetáculo “Sertao.doc” no interior do Ceará. Fizemos todas as apresentações previstas no projeto “Reis do Sertao” uma seguida da outra.

Chegamos em Ipueira da Vaca no dia 08 por volta de 15h30. Fomos recebidos por Dona Elisa, viúva do Mesre Neo Ramos. Tivemos um problema com o André, que não conseguiu chegar junto conosco. Fizemos a articulação para alguém buscá-lo de mototaxi e enquanto isso fomos ajeitar todos os equipamentos do espetáculo.

O terreiro já estava varrido, mas havia uma poeira muito forte, então decidimos “aguar” o terreiro. Murillo e Altemar fizeram o serviço, junto com Dona Elisa e Seu Orlando (articulador da viagem ao assentamento.)

A comunidade começou a se ajuntar para ver o espetáculo, porém o André ainda não chegava. Começamos a ficar preucupados, porque já se passara duas horas depois do horário que ele chegou na rodoviária e nada de ele chegar. Já passava de 20h30 quando decidimos começar a apresetação sem ele. Saiamos que iríamos perder muito do espetáculo, mas não tinha solução, já estava ficando muito tarde.

DA PERIFEIRA PARA O CAMPO: DIÁLOGO ENTRE TRADICIONAL E CONTEMPORÂNEO

Posted by Nóis de Teatro On 04:17


O Nóis de Teatro é um Grupo de Teatro de Rua que existe há 08 anos pesquisando e montando espetáculos em Fortaleza, tendo provado que é possível desenvolver um trabalho artístico-cultural de qualidade na periferia com base no estudo sobre as manifestações populares tradicionais e contemporâneas.

Dentro do seu processo formativo, o Grupo tem pesquisado as relações existentes entre cultura, tradição e campo, tendo se aproximado da experiência de ação cultural do Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária, desenvolvida pelo INCRA - CE, que articula vários grupos de reisado, teatro e dança das áreas de assentamento. Segundo Altemar di Monteiro, coordenador do Nóis de Teatro, esse trabalho, como um todo, tem mostrado que a arte que vem das margens está em efervescência cultural e que estas populações almejam o reconhecimento como produtoras de cultura, que se afirmam em seu território e dialogam com o mundo.

Através da parceria efetiva com o Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária e da COMOV – Comunidade em Movimento da Grande Fortaleza, o grupo aprovou, junto ao Premio Myriam Muniz, da FUNARTE, o Projeto Reis do Sertão, que veio dar continuidade a esse processo formativo de pesquisa, que terá como resultado a montagem de um espetáculo teatral de rua, com estréia prevista para agosto desse ano. Com direção geral de Murillo Ramos, profissional referência no teatro de rua cearense, e elenco formado por Altemar di Monteiro, Bruno Sousa, Jonas de Jesus e Kelly Enne Saldanha, o grupo está em processo intenso de pesquisa, visitando comunidades rurais de assentamentos de reforma agrária onde a manifestação do reisado se faz presente. No processo de pesquisa, o grupo conta ainda com a assessoria de Orlângelo Leal e Silma Magalhães, pensadores sobre tradição e reforma agrária, no Ceará.

De Canindé, Madalena e Miraíma à Várzea Alegre, onde o grupo visitou no ultimo dia 10, domingo, o Assentamento Olho Dágua, passando um dia de interação, intercâmbio e pesquisa com o reisado de congo da comunidade. Através da articulação de Francisco Evanildo, Assistente Executivo da Prefeitura de Várzea Alegre, o grupo pôde conversar com a comunidade, entendendo as suas relações com a terra e a sua devida conquista em 1996. Mesmo com a tensão com a possibilidade de chuva, à tarde o grupo vivenciou uma oficina ministrada pelo Mestre Orlando e pelos brincantes do reisado, onde o Nóis de Teatro pôde sentir fisicamente as danças, músicas e encenações do reisado de congo de Olho D’água. À noite, a comuidade toda se reúniu para ver o brinquedo e divertir-se com as “gaiatices” de Mateus (Seu Boré), Anastácio (Mestre Orlando) e a doida (Contra Mestre Francisco).

Sobre os reisados
Os reisados, como aparecem no Ceará, são folguedos que incluem dança, teatro, música e expressões plásticas, em apresentações que variam de duas a seis horas de duração, com grande riqueza de quadros dramáticos, constituindo-se, talvez, a mais completa e complexa expressão de nossa cultura cênica popular. Acontecem durante o ciclo natalino, em várias modalidades (reisados de caretas, de congos, de bailes, de caboclos etc.), como uma reedição da ida dos Reis Magos a Belém. Trata-se de manifestação cultural tradicional, de extração oral, estreitamente ligada à vida comunitária, que passa de geração em geração, renovando-se permanentemente. Sua riqueza evidencia-se na reunião de traços culturais de diferentes procedências, onde se destacam as contribuições afros, ibéricas e indígenas.

Para Altemar di Monteiro, a ação do Projeto Reis do Sertão, além de dar um foco à importância dessas manifestações culturais, enquanto patrimônio imaterial, discute também como relevante o fato delas estarem situadas em assentamentos da reforma agrária, partindo desse pressuposto para a encenação.


O espetáculo teatral Reis do Sertão está sendo construído de forma coletiva, através do trabalho de campo, pesquisando e estudando intimamente os assentamentos envolvidos e trazendo nas suas referências a questão da reforma agrária no Ceará, levantando questões pertinentes tais como o êxodo rural, as influências do meio urbano sobre o campo, a sustentabilidade das iniciativas campesinas, a qualidade de vida, o capitalismo e, principalmente, a luta pela terra, fazendo um diálogo constante entre o tradicional e o contemporâneo, entre o conhecimento dos mais velhos e a curiosidade dos mais novos.

O processo de montagem do espetáculo prevê a pesquisa, com viagens de campo aos assentamentos envolvidos, montagem e circulação, quando o grupo retornará, em agosto, para as comunidades visitadas.

Sobre Reisado do Congo, do Assentamento Olho D’água, em Varzea Alegre

A criação do Assentamento de Olho D’água, que fica há 30 km da zona urbana de Várzea Alegre, foi idealizado pelo agricultor Luiz Gonzaga Ferreira, já falecido. Implantado em 1996, reúne 21 famílias de pequenos produtores rurais.

Os descendentes do mestre Zé Santana, filhos e netos, resgataram a cultura do Reisado Congo, após dez anos de paralisação dos trabalhos. O reisado do assentamento Olho Dágua teve início em 2004 e hoje conta com cerca de 18 brincantes, crianças e adultos, entre irmãos, primos e cunhados.

Músicos, cantores e dançarinos acompanham o reisado, que é composto de várias partes, como a abertura ou "abrição" de porta, a louvação ao Divino, as chamadas do rei, as peças de sala, as danças, a guerra, as sortes e o encerramento da função - quando as ruas são percorridas nas cidades ou comunidades rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias.


Para Maiores Informações

altemargm@yahoo.com.br
(85) 8720.1135 – Altemar di Monteiro (Nóis de Teatro)
(88) 9215.7959 – Evanildo (Várzea Alegre)

Nóis de Teatro Selecionado no Prêmio Interações Estéticas da FUNARTE

Posted by Nóis de Teatro On 17:12



O projeto Residência nos Cantos da Mata, do Nóis de Teatro, acaba de ser aprovado no Prêmio Interações Estéticas - Residências Artisticas em Pontos de Cultura 2009.
O projeto refere-se a uma residência no Ponto de Cultura Cantos da Mata - Assentamento Barra do Leme - Pentecoste - Ce com o principal intuito de discutir as relações do Teatro do Oprimido e Teatro Fórum na construção do conceito do Teatro da Terra.

Entre outros objetivos, pretendemos também:
• Promover o intercâmbio estético, técnico e político entre os grupos Nóis de Teatro e Caricultura, discutindo as relações existentes entre o movimento de Teatro de Rua das Periferias de Fortaleza e o Teatro da Terra, proveniente dos Assentamentos de Reforma Agrária;
• Rediscutir os conceitos de Teatro de Rua, apresentando uma conceituação para o Teatro da Terra, em conjunto com o Nóis de Teatro (Fortaleza-Ce);
• Fazer um paralelo entre o Teatro do Oprimido, defendido por Augusto Boal, e o Teatro Fórum, com o Teatro da Terra, sistematizando a experiência do processo de montagem do espetáculo Chico Mendes, do Grupo de Teatro Caricultura;
• Produzir o vídeo-documentário Encantos da Mata, relatando a experiência de ocupação do Nóis de Teatro no Ponto de Cultura Cantos da Mata, a sistematização do Teatro da Terra e os processos de desconstrução dos espetáculos “O Juiz de Paz na Roça” e “A Granja”, do Nóis de Teatro;