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AGENDA NÓIS DE TEATRO - AGOSTO DE 2017

Posted by Nóis de Teatro On 14:01

Dia 05 de Agosto, Sábado, às 19h
Local: Sede do Nóis de Teatro


Dia 06 de Agosto, Domingo, à partir das 11h
Baile Dazária - Nóis de Teatro 15 Anos” 
Local: Sede do Nóis de Teatro

Dia 11 de Agosto, Sexta, às 14h
"Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro" - Direção: Murillo Ramos
Pátio do Cuca Mondubim
Abertura do Viradão da Juventude


Dia 25 de Agosto, Sexta, às 14h
"Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro" - Direção: Murillo Ramos
Pátio do Cuca Barra
Abertura do Viradão da Juventude




AGENDA NÓIS DE TEATRO - JULHO DE 2017

Posted by Nóis de Teatro On 14:00

Dia 08 de Julho, Sábado, às 19h
CineClube Pra Nóis” – Filme “Os 33”
Local: Sede do Nóis de Teatro


Dia 19 de Julho, Quarta, às 19h
Todo Camburão Tem Um Pouco de NavioNegreiro” – Direção: Murillo Ramos
Local: Comunidade Poço da Draga
Apoio: Fundo Baobá


Dia 20 de Julho, Quinta, às 19h
Todo Camburão Tem Um Pouco de NavioNegreiro” – Direção: Murillo Ramos
Local: Granja Portugal
Apoio: Fundo Baobá


Dia 22 de Julho, Sábado, às 18h
Despejadas” (Abertura de Processo) – Direção: Edna Freire
Fresta Literária
Apoio: Porto Iracema das Artes


Dia 27 e 28 de Julho, Quinta e Sexta, às 19h
Todo Camburão Tem Um Pouco de NavioNegreiro” – Direção: Murillo Ramos
Local: Praça da Gentilândia
Apoio: Temporada Sujeita a Cancelamento. Aguardando liberação dos recursos da SECULTFOR


Dia 27 de Julho, Sábado, às 19h
Todo Camburão Tem Um Pouco de NavioNegreiro” – Direção: Murillo Ramos
Local: A Confirmar
Apoio: Sessão Sujeita a Cancelamento. Aguardando liberação dos recursos da SECULTFOR


         





VAI COMEÇAR O CINECLUBE PRA NÓIS

Posted by Nóis de Teatro On 07:30





Neste sábado, dia 08 de julho, o Nóis de Teatro dá início a um novo projeto na sua sede, que fica no bairro da Granja Portugal. O projeto “CineClube pra Nóis” é mais uma ação de comemoração dos 15 anos do grupo e vem como uma iniciativa de cada vez mais fazer da periferia um espaço de troca de experiências. Todos os sábados, a partir de 19hs, iremos exibir filmes que possibilitam as mais variadas experiências e reflexões.


A ideia surgiu do entusiasmo de ocupar mais ainda nossa sede com atividades e da vontade de dialogar com a comunidade. Todos os amigos do Nóis estão convidados: aos sábados a gente assiste um bom filme, bate um bom papo, toma uma mirinda, vê e revê os amigos... Quer programa melhor para um sábado à noite?


O CineClube pra Nóis é coordenado pelo fundador do grupo, Júlio César Martins, com a colaboração de Duda Lemos. Os filmes abordarão diversos temas e após a apresentação será feita uma conversa sobre as inquietações que ele trouxe.


Todos estão convidados!


SINOPSE DO FILME


OS 33


Capiapó, Chile. Um desmoronamento faz com que a única entrada e saída de uma mina seja lacrada, prendendo 33 mineradores a mais de 700 metros abaixo do nível do mar. Eles ficam em um lugar chamado refúgio e, liderados por Mario Sepúlveda (Antonio Banderas), precisam racionar o alimento disponível.
Paralelamente, o Ministro da Energia Laurence Golborne (Rodrigo Santoro) faz o possível para conseguir que os mineiros sejam resgatados, enfrentando dificuldades técnicas e o próprio tempo.


SERVIÇO
Filme: Os 33
Local: Sede do Nóis de Teatro, avenida José Torres, 1211, Granja Portugal
Data: 08.07 (sábado)
Horário: 19h
Entrada Gratuita



QUE MARCAS TEU CORPO CARREGA SOBRE A EXPERIÊNCIA NÓIS DE TEATRO?

Posted by Nóis de Teatro On 07:10



“Certamente a marca que o Nóis imprimiu em mim foi a consciência de estar e ser negra periférica.

Minha vida inteira fui impelida para longe. Meu bairro não tinha, na visão dos meus pais, boas escolas assim como, também, não tinham locais de convivência cultural ou onde fossem ofertados cursos ou coisas do tipo. E eles acharam por bem matricular a mim e meus irmãos em espaços em bairros com mais recursos. Já no fim da adolescência passei a acompanhar minha mãe na profissão de cabeleireira, a qual exerço até hoje e desde sempre nos bairros mais nobres da cidade.

Paralelo a isso tudo, na minha vida nascia o NÓIS. Que, com a magia encantadora que só a arte tem, me segurou na minha raiz. Me fazendo perceber q a visão dos meus pais - visão essa que eu já tinha tomado como minha também - de que a periferia não tinha o que oferecer, era distorcida.

Em um segundo momento já não tão próximo do grupo mas acompanhando seus passos como uma fiel admiradora, continuei sendo alcançada pelo empoderamento cultural, racial e periférico.

Sem dúvida existe muito em mim do NÓIS DE TEATRO”.

Taline Martins

Estudante de Psicologia e cabeleireira

O QUE HÁ POR TRÁS DESSE SORRISO?

Posted by Nóis de Teatro On 10:53




Por Kelly Enne Saldanha

"Eu escrevi um poema para uma mulher que sobe em um ônibus em Nova York. Ela é empregada doméstica. Carrega dois sacos de compras. Se o ônibus para de repente, ela ri. Se o ônibus para lentamente, ela ri. Eu pensei...Se você não conhece os traços negros pode achar que ela está rindo. Mas ela não estava rindo. Ela estava simplesmente esticando os lábios e fazendo um som hahahaha...Eu entendi. É um truque de sobrevivência. Agora deixe-me escrever sobre isso para homenagear esta mulher que nos ajuda a sobreviver.

'Setenta anos neste mundo
E a criança para quem trabalho me chama de menina.
Eu digo: Sim, senhora,(hahaha)... por causa do trabalho.
Sou orgulhosa demais para ceder,
E pobre demais para resistir.
Então dou risada
Até a barriga doer
Quando penso em mim mesma.
Meu povo me faz rolar de tanto rir.
Ri tanto que quase morri.
As histórias que contam parecem mentiras.
Eles cultivam as frutas,
Mas comem as cascas.
Eu rio... Até começar a chorar,
Quando penso em mim mesma.'"

Maya Angelou

Este primeiro mês das "Despejadas" junto ao Porto Iracema das Artes foi cheio de grandes descobertas, encontros, achados, reflexões e investigações. Começar este relato trazendo as palavras de Maya Angelou traz bem um resumo daquilo que tivemos de experiências em nossos encontros.

O que há por trás de um sorriso? As pessoas dizem aquilo que querem dizer? Elas dizem aquilo que sentem? Como dizemos nosso "socorro"? Quem quer nos ouvir?

O quarto de despejo, livro de Carolina Maria de Jesus que nos serve de base para criação desse processo traz reflexões do dentro e do fora. Ao mesmo tempo que fala da particularidade de dentro do lar, fala também do meio social, externo e público. Nos vemos mais uma vez, Nóis de Teatro, tratando sobre o público e o privado, o dentro e o fora, o pessoal e o coletivo.

Em se tratando de mulher, o que é seu público? O que é seu privado? O que acontece no quarto de despejo de cada uma de nós? O que não falamos? O que queremos dizer? Onde escondemos nosso pedido de socorro? Alguém quer nos ouvir?

Quando Maya Angelou declama seu poema falando de sorriso, ela cai em choro. Lágrimas cortantes, dilacerantes. Lágrimas cheias de dor. Lágrimas cheias de sorriso. Quantas vezes nos calamos? Quantas vezes não fomos caladas? Dentro e fora de casa. Dentro e fora. Privado e público. O que nos cala? O que deixamos de dizer?

Imbuídas por esse silêncio, por aquilo que não é dito, aquilo que não podemos dizer, uma cena foi construída. Na verdade inúmeras cenas já foram experimentadas, mas essa em especial talvez relate e resuma melhor nossas andanças nesse primeiro mês de projeto no Porto Iracema.

Nos fundos da nossa sede, local dos nossos encontros, temos nosso escritório que é separado da cozinha por uma porta e uma janela de madeiras. Parece a entrada de uma casinha comum. Uma das cenas apresentadas foi nesse espaço. Descrição da cena: Porta e janela fechada. Silêncio. A janela se abre e dentro está uma mulher, parada olhando para o público fora da sala. Pela janela o público vê toda a cena. A mulher que está lá dentro está em silêncio, tentando esboçar um sorriso. Além da tentativa de sorriso, há um texto retirado do livro da Carolina: "Eu sou muito alegre. Todas manhãs eu canto. Sou como as aves que cantam ao amanhecer. De manhã eu estou sempre alegre. A primeira coisa que faço é abrir a janela e contemplar o espaço." Este texto é dito de forma sisuda, de olhos lacrimejantes. Da boca saem essas palavras mas os olhos pedem socorro. Ao terminar o texto, por trás da janela aparece uma pessoa que a faz calar. Esta pessoa olha para a plateia, olha para o público e fecha bruscamente a janela. Depois de alguns segundo, a janela volta a ser aberta. Desta vez a mulher está mais afastada. Porém o olhar é ainda o mesmo. Olhar de apavoro, medo, engasgo, mas, dessa vez, nenhuma palavra sai de sua boca. O que ela quer dizer? Depois de algum tempo, a figura reaparece atrás da janela e repete os mesmos olhares e bruscamente fecha a janela. Depois de mais alguns segundos, a janela volta a ser aberta. Desta vez não há ninguém. Somente o vazio da sala cheia de objetos. Depois de mais algum tempo, a figura reaparece. Repete os mesmos olhares e dessa vez a janela é fechada lentamente.

Toque o sino se você já presenciou uma situação de violência com alguma mulher. Quantas vezes esse sino será tocado? Quantas praças públicas têm nome de mulher? Quantas mulheres dão nomes às ruas? Quantas estão em altos cargos fudendo nossa vida? Quantas vezes seguramos a mão de um agressor na rua, na família, na vizinhança? Quantas vezes nos calamos diante das agressões que sofremos? Quantas vezes dizemos que não adianta se meter na vida do casal? Quantas vezes a particularidade da vida do casal foi motivo do seu silêncio? Até onde podemos interferir nessa particularidade? Até onde devemos ir?

O silêncio de consentimento. O silêncio de socorro. O silêncio da falta de esperança. O silêncio. Como ele dói. Quantas dores silenciadas. Quantas mulheres caladas. Quantas dores, nós, mulheres da periferia deixamos escondidas. Não podemos parar. Não podemos falhar. Porque além de sermos marginalizadas, somos faveladas.


Para que não precisemos mais sorrir quando na verdade queremos gritar. Para que não precisemos mais aturar, fingir, engolir e sorrir.

NÓIS DE TEATRO 15 ANOS: INSURGÊNCIA PERIFÉRICA

Posted by Nóis de Teatro On 04:55



A garota cresceu. E aquela criança-esperança que movia o futuro foi tomada de arroubo pela perversidade violenta de um mundo que fabula sua própria crise, sua própria doença, sua própria farsa. Rodando em círculos de um tempo-espaço que tem se forjado na paralisia das totalizações, no obscurantismo conservador e reacionário, a garota se vê perdida, atônita, reconhecendo que o que antes parecia ter conquistado tem sido varrido como poeira pelos vaticínios da ordem e do progresso. Mas junto com a menstruação veio o pandemônio de hormônios a lhe desestabilizar. Na exceção ela reencontra “a regra” e na violência de um tempo sem rumo ela vê a matéria prima da transformação: o corpo.

Na festa debutante, a garota troca laços e fitas rosados pela máscara de gás, o braço erguido e o vinagre na bolsa... Já que seus sonhos viraram demônios a lhe perseguir, inquietar, incomodar, lembrando-lhe da sua sempre constante incapacidade de realizar, de prosseguir, de avistar um lugar melhor pra se viver; a garota desenha sua desrazão, sua despossessão, sua insurreição. Céticos insistem que é apenas rebeldia da juventude, mas, nesses 15 anos, foram tantas promessas de mudanças, tantos votos de cidadania, que o que se revela com maior efeito é a sensação colérica de que, de fato, tudo continua no mesmíssimo lugar e que, sim, ainda há muito por fazer. Mal ajustada no próprio corpo, ela vê a possibilidade de ser outra e, para isso, será necessário armar uma grande rebelião. Com apenas 15 anos, ela quer emancipação já!

Fuck The World Center!!!

A rebelião coloca-se em curso. Um montim de mulheres, pretos e pretas, trans, drags, sapatãos, viados e travestis estão armando a maior das insurgências: a periférica. Vindos do oco do mundo, “do que não tem governo nem nunca terá”, do que não tem e nunca terá centro, nem dono, nem patrão; Vindos de um tempo que se encharca de memórias e de desejos, entrecruzados, emparelhados; esse levante marginal diz que nada mais será como antes! Daqui em diante, o presente é insurgente e precisa ser recombinado, reacertado, abrindo a experiência à absoluta inquietude de agoras refeitos na insegurança primeira de um futuro por vir.

Juntando força à esse levante, a garota não abandona seu passado, pelo contrário, este aviva-se no presente como marca corpórea da experiência, do erro, do assombro, lembrando-lhe do irrepetível, do inegociável, do inaceitável. Colhendo cacos dessa história, ela recombina forças, reorganiza armas, abandona vícios, fortalece pacientemente suas potências, admitindo que sim, “o real é aquilo que resiste”. Por isso aposta na linguagem, na violência insurgente da arte como pólvora da sua revolução, do seu descontentamento com o modo como tudo tem Estado. Ela reconhece na periferia de sua arte, na insurgência preta, denegrida, mal amada, ressentida, viada, o mote real do que ainda pode construir um outro corpo, um outro mundo: o ataque imediato à infraestrutura branca, pálida e limpa de um mundo que parece não ter sentido o gosto azedo e fétido do bolo estragado.

Happy Birthday? Não. Nada mais será como antes!

A periferia sou eu. A garota somos Nóis.


Insurgência já!

ENTRENÓIS NA CASA NOVA

Posted by Nóis de Teatro On 19:07



O Nóis de Teatro está em festa, comemoramos quinze anos de atividades em Fortaleza. Nascido e crescido no bairro da Granja Portugal, que faz parte do Grande Bom Jardim, o grupo tem na periferia a força motriz para o seu trabalho. Durante todo esse tempo, o Nóis de Teatro teve, e tem, diversas ações que compõem o seu trabalho, tais como, pesquisa, ensaios, oficinas, debates, seminários, encontros, entre outros. Sempre atento em manter as relações políticas e afetivas com o espaço que ocupa, o bairro Granja Portugal, o grupo estabeleceu durante o seu percurso, várias ações que aproximasse a comunidade dos seus trabalhos e de outros artistas da cidade. Com esse intuito, surgiu o programa EntreNóis.

Com estreia em 2014, o projeto EntreNóis, foi pensado como a possibilidade da comunidade receber espetáculos, intervenções, performances e apresentações de diferentes artistas da cidade na sede do Nóis de Teatro, assim como, vários artistas conhecerem e se apresentarem na nossa casa. Até hoje, quase 50 artistas, coletivos ou bandas passaram pelo programa, tornando a sede do Nóis de Teatro um espaço, não só de criação, mas de fruição de arte na periferia.

Durante esses três anos de atividades, com apoio financeiro ou não, conseguimos manter a periodicidade do EntreNóis, sempre contando com a parceria e colaboração dos artistas da cidade, que nos apoiaram e estiveram juntos com o grupo nessa luta.

Hoje, com 15 anos de vida, o Nóis de Teatro se alegra em convidar a cidade para mais uma edição do EntreNóis, agora na nova sede. Neste domingo, dia 28 de maio, às 17hs, Nóis e a comunidade da Granja Portugal recebe os amigos do Grupo Garajal, do Maracanaú para mais uma edição, com o espetáculo Circo Alegria. As próximas edições do programa EntreNóis conta com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, por meio do Edital de Incentivo às Artes de 2016. Esperamos todos para esses festejos que só se encerram quando o ano acabar.


SERVIÇO
Grupo Convidado: Grupo Garajal
Espetáculo: Circo Alegria
Local: Sede do Nóis de Teatro
Endereço: Avenida José Torres, 1211, Granja Portugal
Horário: 17hs

Entrada: Gratuita 

O SENTIMENTO QUE É SER A "TIA DO TEATRO"

Posted by Nóis de Teatro On 06:36

Por Kelly Enne Saldanha

Cresci vivendo dentro de uma comunidade católica, a Comunidade de Granja Lisboa. Nessa comunidade, passei pelo batismo, primeira eucaristia e crisma. Fui inclusive catequista neste último sacramento. Passei grande parte da minha infância e juventude ali, naquele lugar cheio de tias. Por mais que nenhuma delas tenham sido de fato minhas catequistas, não tinha como chamar a tia Nalva de Nalva, tia Lucia de Lucia e tão pouco a tia Neide de Neide. Até hoje.
Minha vida teatral começa ainda no ensino médio, porém ela começa a ganhar forma dentro dos muros da Comunidade de Granja Lisboa. Desde então, vamos chegando aos quinze anos de teatro.
Por conta da experiência teatral junto à comunidade com o teatro de rua, muitas pessoas nos abordam para comentar sobre espetáculos que realizamos ou indagar sobre qual e quando será realizado o nosso próximo trabalho. Porém a relação com a comunidade vem mudando de uns anos pra cá. Desde o ano de 2013, o Nóis vem ministrando aulas de teatro no bairro. Iniciamos na sede antiga que ficava na rua Barra Vermelha, 381. Depois de mais de quatorze anos de atividades nessa sede, mudamos. Voamos.
Hoje na nova sede, não deixamos de dar aulas às crianças. E desde quando começamos a realizar esse tipo de ação no bairro, nossa relação com a comunidade mudou. Além das crianças, seus pais, amigos e vizinhos passaram também a me chamar de "Tia do Teatro". E Edna Freire sempre está comigo nessa empreitada.
Essa responsabilidade que é cuidar, ensinar, nos muda. Olhos e ouvidos bem atentos, voz afiada pra falar e falar e falar. E sempre prontas para aquele conselho: "Se coloque no lugar no colega..."
Apesar de sermos vizinhos, nossas crianças e nós, vivemos uma vida completamente diferentes. E é no teatro que podemos ver seus medos, anseios, preocupações. E sabe qual é o principal assunto delas em cena? O medo de ficar longe da família. Sejam sequestradas pelo homem do saco preto, sejam carregadas pela bruxa malvada, sejam pelo medo de morrer, tudo isso é visto nas cenas que elas combinam entre elas para mostrar ao final de alguns encontros.

 O mais intrigante é como nós também vamos fazendo parte da vida delas de alguma maneira. Não estamos aqui pra salvar ninguém. Mas temos a oportunidade de mostrar outras possibilidades. Isso é possível. E a gente se surpreende tanto com aquilo que recebemos. E é bom.