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A GRANJA

Posted by Nóis de Teatro On 13:37 No comments



SINOPSE

O espetáculo “A Granja” estreou em maio de 2009 e hoje ele é, para o Nóis, o nosso contato mais forte com a linguagem popular e brincante do teatro de rua tradicional.  Surge pela necessidade de narrar as inquietações dos artistas do grupo enquanto moradores de um bairro de periferia. O cotidiano, as conquistas e os problemas urbanos das favelas são apresentados, discutindo, em cena, as relações de opressor e de oprimido estabelecidas nas lutas de classe. Utilizando como referencia a obra “Ubu Rei”, de Alfred Jarry, o texto fala de como “Zé da Granja” se tornou um grande imperador, revelando o controle social, a alienação popular e a territorialização das favelas. Com poesia popular e brincadeira, o espetáculo propõe um ato novo, tão difícil de encontrar na atual sociedade: a possibilidade da construção do pensar.

FICHA TÉCNICA

TEXTO Criação Coletiva | DIREÇÃO Altemar Di Monteiro | ELENCO Altemar di Monteiro, Henrique Gonzaga, Edna Freire, Dorotéia Ferreira, Amanda Freire, Nayana Santos, Kelly Enne Saldanha, Bruno Sodré e Jefferson Saldanha | FIGURINO Valne Lima e Altemar di Monteiro | CONFECÇÃO DE FIGURINOS Joélia Braga e Valne Lima | ASSESSORIA DE FIGURINOS Adelita Monteiro | CENÁRIO Altemar di Monteiro | CONFECÇÃO DE CENÁRIOS José Freire e Valne Lima | ADEREÇOS Valne Lima | MAQUIAGEM Altemar di Monteiro | TESOURARIA Kelly Enne Saldanha e Aquiles Santos | PRODUÇÃO Kelly Enne Saldanha | ASSESSORIA DE MONTAGEM Sâmia Bittencourt, Vanéssia Gomes, Ângelo Márcio e Orlângelo Leal | REALIZAÇÃO COMOV e Grupo Nóis de Teatro.


* Manifesto da Antropofagia Periférica
A periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. Dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros. A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para diversidade. Diversidade. Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula. Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha. A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza. A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica que brota na porta do bar. Do teatro que não vem do “ter ou não ter...”. Do cinema real que transmite ilusão. Das Artes Plásticas, que, de concreto, quer substituir os barracos de madeira. Da Dança que desafoga no lago dos cisnes. Da Música que não embala aos adormecidos. Da literatura das ruas despertando nas calçadas.

* A Periferia Unida, no Centro de Todas as Coisas
Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala. Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala. É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista cidadão. Aquele que na sua arte não revoluciona o mundo, mas também não compactua com a mediocridade que imbeciliza um povo desprovido de oportunidades. Um artista a serviço da comunidade, do país. Que armado da verdade, por si só exercita a revolução. Contra a arte domingueira que defeca em nossa sala e nos hipnotiza no côo da poltrona. Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o acesso à produção cultural. Contra reis e rainhas do castelo globalizado e quadril avantajado. Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami para eles? “Me ame pra nós!”. Contra os carrascos e as vítimas do sistema. Contra os covardes e eruditos de aquário. Contra o artista serviçal escravo da vaidade. Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada. A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza. Por uma Periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor. É TUDO NOSSO!

* Thereza Dantas – publicado na Revista Raiz – edição de novembro de 2007



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