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ESCÂNDALO! SEXO EXPLÍCITO NA PRAÇA PÚBLICA DE PACAJUS!

Posted by Nóis de Teatro On 12:06 9 comments



Por Kelly Enne Saldanha e Altemar Di Monteiro


Pacajus, a priori, não estava dentro do projeto de pesquisa, montagem e circulação do espetáculo "Todo camburão tem um pouco de navio negreiro". Tínhamos desde o inicio do projeto que visitar o Quilombo do Ramos e Goiabeira, porém, uma dificuldade de contato com a comunidade nos fez mudar de ideia, adiando para uma oportunidade futura. O processo de pesquisa durou os três primeiros meses e durante esse tempo foi inviável realizar um contato. Foi quando decidimos ir para a cidade de Pacajus, articulação de uma parceria já realizada outrora com os participantes do Grupo Paiaçus, quando Altemar Di Monteiro esteve no “Seminário Arte, Cultura e Cidade – Experiências e Proposições” no mês de novembro de 2014. Magno Carvalho, ator do espetáculo “Quase Nada” colaborou de forma significativa nessa articulação. Pacajus tem um "Quilombo da Base", que através de contatos na cidade propiciou a ida deles para ver nosso espetáculo. A apresentação foi no centro da cidade, na praça conhecida como Praça do Tintin. Esperamos a missa acabar e as 20h demos início ao espetáculo.
Assim como na cidade de Porteiras, tivemos a inesperada chegada da polícia, que recebera denúncias fantasiosas de sexo explícito que acontecia em plena praça pública. Essa referida cena é de grande impacto. Um grande choque, principalmente para uma cidade de interior. Mulheres de seio de fora, dançando funk e se esfregando em um gigante falo preto. Escândalo! Nada mais é do que nosso desejo estético de discutir o fetiche sobre a carne mais barata do mercado: a carne negra. O espetáculo, numa saudação a Exu, começa com uma grande orgia, totalmente artificializada dentro de uma proposta teatral. A cena é reprimida por um personagem policial que criminaliza e expulsa essa "gente pervertida". "Todo Camburão" segue por duas horas discutindo perseguição, preconceito, criminalização da juventude negra das periferias. Um soco no estômago, um soco na visão embotada dos bons costumes, tão difíceis de serem discutidos. Discutimos a força repressiva da polícia onde, numa proposição dialética, colocamos em julgamento a situação militarizada e hostil da polícia militar. Um espetáculo parado pela polícia? Que incomoda a força dominante? Nada mais forte e poético do que um teatro que dialoga com a vida.
            A praça ficou em êxtase. De alguns espectadores da apresentação de Porteiras, realizada na sexta-feira, ouvimos que estávamos sofrendo preconceito. Éramos vítimas de racismo. Pretos falando da causa preta, só podia dar nisso mesmo. Como diria os quilombolas dos Sousas, em Porteiras: “Se a Polícia chegar, o que é que nós faz? Morre tudo na bala e ninguém vai”. Mais uma vez a polícia chega à praça querendo interromper a cena. Denuncia de dois ou três reacionários tradicionalistas. Mas uma plateia de mais de 200 pessoas na praça estão ansiosas para conhecer o destino de Natanael. O que fazer? O caso apresentado em Porteiras se repetiu em Pacajus. O mais revoltante é perceber o quanto ainda precisamos avançar nas políticas de igualdade racial e cultura, estruturas públicas muitas vezes ocupadas por ignorantes de cargos escolhidos por amarras politiqueiras, sujeitos que pouco entendem da função da qual estão lhe dando. Revoltante!
Mas tirando esse pequeno incidente, mediado pelo diretor do espetáculo, foi uma apresentação maravilhosa. Uma plateia imensa esteve de pé por quase duas horas para ver toda a encenação. São duas horas que nem se percebe o tempo passar. Experiências que tem nos fortalecido em nossos debates e compreensão de um teatro militante, engajado, que dialoga com a vida real. As reflexões são mais lindas após a apresentação. Os comentários que o público faz depois de cada apresentação são fortificantes. Os agradecimentos que as pessoas fazem por levarmos o "Camburão" para cada cidade faz nosso trabalho ser ainda mais intenso. Por aqui, RACISMO NÃO PASSARÁ. Seguimos ansiosos para voltar ao Maranhão.

9 comentários:

RACISMO NÃO PASSARÁ! Avante companheiros.

É incrível como as mesmas práticas se repetem, os mesmos preconceitos, voltam à tona...

Eu entendo sua colocação, admiro muito o trabalho dos artistas teatrais, sou amigo do Magno Carvalho, mas vou colocar minha opinião sobre o assunto.
Eu estava ali sentado na lanchonete ao lado, com meu filho de três anos tomando sorvete, e eu ansioso pelo inicio da apresentação, quando começou com danças e musicas muito bonitas. De repente meu filho me chama a atenção: "pai, a mulher está com os peitos de fora!", tive que explicar que ela tava com uma roupa transparente e mandar ele se concentrar do sorvete. Até os rapazes saem de cena e pegam um "falo?" ( particularmente não sei o significado dessa palavra, pois pra mim aquilo era um PÊNIS gigante, com todas as características como cabeça e testículos bem definidos), ai não deu pra ficar, tive que tirar a atenção do meu filho e sair do local.
Volta a dizer, admiro muito o trabalho de vocês, mas o bom senso deve ser usado em uma situação como essa, havia dezenas de crianças no local, e como você citou:"O espetáculo, numa saudação a Exu, começa com uma grande orgia", não deveria ser encenada em praça pública e na presença de crianças! Total falta de respeito e bom senso!
Fica aqui minha critica e total desprezo pela apresentação da referida peça!
Eduardo Nepomuceno

Caro Eduardo,
Respeitamos sua opinião e defenderemos até o fim o direto de você professá-la. Lamentamos, no entanto, que não tenha ficado para asisistir o espetáculo e sinta esse desprezo pelo nosso trabalho. Se tivesse ficado pra ver talvez entendesse o quanto o seu filho, mesmo criança, precisasse ter visto o espetáculo. Lamentamos também que, de certo, você não terá a mesma condição de escolher "livrar" seu filho de ver os absurdos que passam na tv brasileira, ou mesmo de ouvir as orgias tocadas nos carros de som da sua cidade.

Resposta ridícula ao comentário muito bem colocado pelo "anônimo" (que não sou eu). Interessante que você fala sobre os "absurdos da tv brasileira", mas está levando um absurdo muito pior até uma praça cheia de famílias e muitas crianças. A tv eu posso controlar até o meu filho criar discernimento suficiente para fazer suas escolhas. E agora vou ter que controlar os passeios pela cidade por conta desta dita "arte"?
E, por favor, nem sequer citem a palavra racismo para quem critica a performance de vocês. Não tentem se fazer de vítimas. O que revolta é o comportamento de vocês. Não a cor, descendência ou religião. Seja quem for que faça isso em uma praça pública, onde as pessoas não escolheram estar lá PARA ASSISTIR ISTO, será alvo da minha crítica e, espero, da crítica de muitas outras pessoas. Se querem se apresentar em um local onde vai quem quer, ótimo, sem problema. Todos vão assistir já sabendo o que esperar e quem levar. Eu provavelmente iria. Mas não levaria uma criança. Basta ter um pouco de bom senso.

Aquela velha censura, aquele velho comportamento de que o nu é proibido ao vivo (e nem é nu total, imagina se fosse?). Vai ver fosse uma mulher com um shortinho curtííííssimo dançando em praça PÚBLICA (um funk proibidão, por exemplo, só pra enfeitar a situação) não causasse tanto impacto para o filho do Eduardo Nepomuceno e muto menos pra ele, o pai... Mas, por que? Por que é tão impactante? POR QUE? Por favor, críticos, respondam. Só quero entender mesmo.
Talvez aquilo tenha uma simbologia, não? Talvez...
Agora, é uma pena MEEESMO o Eduardo não ter ficado até o fim.
Beijos de luz. haha

Ainda terão muitos críticos anônimos.
A ARTE É LIVRE!... ignorância anônima informem-se!

Avante amigos do Nóis! eu estou super ansioso para assistir esse espetáculo e ainda quero a camisa u.u A arte é livre... Assiste quem quer... quem não quiser, se sentir desconfortável, que va pra casa ou busque outras áreas de lazer... n existe apenas um espaço de lazer em uma cidade... simples... não recrimino quem se retirou para que algum filho não assistisse, fez bem! se acha isso demais para seu filho, ótimo, fez correto em se retirar... agora a praça é pública... o mesmo direito que alguém tem em ir passear lá, outros também tem de apresentar sua arte... ja disse e repito... é simples... quem quer assiste, quem não quer não assiste! Parabéns Nóis pela ousadia de dizer e mostrar tudo aquilo que a sociedade encobre e faz por trás...

Ass: a Quenga do Zé! bjs pra vcs... saudades!

Desmoralizar a polícia, utilizar-se do famoso coitadismo... Da não ne. Precisamos de arte de verdade, que faca com que as pessoas inspirem-se a ser cada vez melhores. Mostrar algo que as criancas "negras" possam seguir, um bom exemplo. Plantem sonhos nos corações desses meninos. Parem de impor que a única condição para uma criança negra eh ser pobre. Gente que quer causar muita polemica acaba só cooperando para o atraso.

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