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PELA DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA E DA POLÍTICA

Posted by Nóis de Teatro On 08:36 No comments



Por Kelly Enne Saldanha



 Dentro das atividades do “Todo Camburão”, tivemos vários seminários feitos pelos próprios participantes. No mês de maio seguimos estudando sobre o Aparthaid nos Estados Unidos e na África. Os números dos negros no Ceará também foram estudados. Números da violência, da educação, do desemprego, valores salariais etc. Tudo isso foi discutido e não saiu do esperado. Os números dos negros são sempre menores nos direitos e maiores na falta dele.
Seguindo as discussões sobre esse mundo negro da periferia, tivemos a visita de Ana Vládia Holanda e seu assunto foi a desmilitarização da polícia e política. A polícia e política do Brasil estão atuando como se estivessem em uma guerra, com atitudes de estado de guerra e isso somente vem mostrando uma falta de preparo para lidar com a real questão no negro na periferia. A criminalização como controle social da violência com o uso da violência é o que mais a gente tem visto. Dentro desse contexto temos um mapa matável, onde a polícia tem liberdade de matar sem ter perigo de investigação ou ser incomodado pela opinião pública. Adivinhem onde fica esses lugares? Periferia, lógico.
Sempre se fala que o problema da divisão de classes veio com o capitalismo, porém esse fato não é verdadeiro. Na história da humanidade, sempre houve esse tipo de problema social, porém com o capitalismo, essas diferenças ficaram ainda mais evidentes e difíceis de lidar. Os países com maiores diferenças de renda entre a população são os que apresentam maior violência.
Toda essa doutrina militar admitida pela polícia no Brasil só faz aumentar a violência contra a periferia. Contra esse fluxo militar, a busca é pela conscientização política, para que a vontade do oprimido não seja a de ser opressor. Precisamos negar a profecia de futuro no negro da favela. A busca é desmilitarizar a polícia e a política.
Falar sobre a desmilitarização só casou ainda mais com as atuais discussões que vínhamos travando. Toda essa situação não era para nós desconhecida. O processo de pesquisa nos trouxe uma lente de aumento. Aumentou para os problemas que sempre vemos na TV na hora do almoço, para os nossos próprios problemas que sempre mantivemos dentro de nós, escondidos, camuflados. A lente de aumento foi para tudo.
Temos da TV nossa principal rede de situações para nossos debates e discussões. A TV no alimenta de material descartável e sempre a olhamos com olhar de desconfiança. Filtramos. Mas não podemos negá-la, pois é ela quem manipula mais da metade da população brasileira, principalmente a cearense. A mídia, com sua bancada da bala, vêm incentivando a barbárie, a loucura, a falta de bom senso. A TV nos traz muitas imagens de terror que a todo momento vem sendo trabalhada com banalização por ela mesma. Banalizar a violência, deixá-la comum, esperada, aceita. Buscamos o contrário.

Conheça mais sobre o Comitê cearense pela desmilitarização da polícia e da política



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